Economista fala sobre o impacto do déficit primário de 19 bilhões de reais registrado em atrássto no Brasil
O Brasil enfrenta um cenário econômico desafiador. Em atrássto, o governo federal registrou um déficit primário superior a R$ 19 bilhões, o pior resultado para o mês em dois anos. Para entender o impacto dessa situação, conversamos com o especialista José Rita Moreira.
Déficit Primário e suas Consequências
Segundo Moreira, o déficit primário é resultado principalmente dos altos custos com a máquina pública e a previdência, que consomem a maior parte dos recursos do governo. Essa situação se assemelha a uma caixa d’água com uma entrada pequena e uma saída grande, levando ao esvaziamento gradual das reservas. A ausência de um esforço significativo para reverter esse quadro, principalmente durante o período de transição de governo, preocupa analistas e investidores.
Projeções Negativas para o PIB e Inflação
O Banco Central revisou para baixo a projeção de crescimento do PIB para 2019, de 1,6% para 1,4%. Moreira atribui essa revisão negativa à falta de confiança dos investidores em relação ao cenário político e econômico, além de fatores externos como a alta do dólar, que impacta o custo de fertilizantes e encarece as dívidas das usinas de açúcar e álcool. O aumento do preço internacional da gasolina também contribui para o cenário pessimista.
Leia também
Cenário de Inflação Estável
Apesar dos desafios, a projeção de inflação, medida pelo IPCA, foi reduzida de 4,1% para 4%. Moreira acredita que essa estabilidade se deve à baixa demanda de consumo, em função da restrição ao crédito e da insegurança econômica. Embora um crescimento do PIB no próximo ano possa provocar um leve aumento na inflação, a perspectiva é de que se mantenha em torno de 4%, o que é considerado razoável pelo mercado, desde que acompanhado de um crescimento econômico consistente e geração de empregos.
Em resumo, o Brasil enfrenta um momento de desafios econômicos, com um déficit primário preocupante e projeções de crescimento econômico revisadas para baixo. Apesar disso, a inflação permanece estável, indicando um cenário de baixo consumo. A expectativa é de melhora para o próximo ano, dependendo da retomada da confiança do mercado e de políticas econômicas eficazes.