Comitê de Política Monetária mantem taxa básica de juros em 6,5% ao ano; economista comenta o cenário
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros em 6,5% ao ano, em sua última reunião de 2023. Essa decisão, embora esperada pelo mercado, gerou debates entre especialistas.
Taxa de Juros e Expectativas de Inflação
Para o economista Nelson Rocha Augusto, a manutenção da taxa, apesar de positiva por se tratar da menor taxa da história contemporânea brasileira, poderia ter sido mais ousada. Considerando a inflação conjuntural e as projeções para os próximos anos, abaixo do centro da meta de 4,5%, haveria espaço para redução. Uma diminuição estimularia a economia, gerando empregos e investimentos.
Cenário Econômico e Indicadores
Augusto destaca que a inflação medida pelo IPCA deve fechar o ano abaixo de 4%, provavelmente em torno de 3,8%. Esse cenário, aliado à queda de 0,4% nas vendas do comércio em outubro (contra expectativa de alta de 0,2%), indica uma folga inflacionária que justificaria uma redução da taxa de juros. Embora o crescimento anual tenha sido de 6,2%, a retração em relação a setembro sinaliza cautela do consumidor. A expansão do crédito, no entanto, sugere um cenário positivo para os próximos meses.
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Perspectivas Futuras
Apesar da sugestão de redução, Augusto reconhece a validade da decisão do Copom. Ele afirma que não há perspectiva de aumento de juros nos próximos 3 a 5 meses. O futuro, porém, é incerto, com um novo governo e cenário internacional a serem considerados. A cautela do consumidor em outubro pode ser temporária, com expectativas de melhora em dezembro. A expansão do crédito contribui para um cenário otimista, embora a situação requeira acompanhamento.