Economista faz análise dos novos dados do INPC
Safra Record e Demanda Fraca: Os Motores da Deflação em 2017
A inflação de 2017 surpreendeu ao ficar abaixo da meta, atingindo 2,95%, contra o piso de 3%. Um dos principais fatores foi a maior safra agrícola da história do Brasil, resultando em queda de preços (deflação) de alimentos e bebidas, que têm peso significativo no cálculo do índice. A demanda interna, apesar de recuperação no final do ano, permaneceu fraca na média, contribuindo para a contenção dos preços.
Disputa no Varejo e Estratégias de Preços
A acirrada competição entre estabelecimentos de varejo também influenciou a inflação. Supermercados, buscando ampliar sua participação de mercado, adotaram estratégias de preços baixos em alimentos, utilizando-os como chamariz para atrair clientes e impulsionar vendas de outros produtos.
Política Monetária Prudente e Perspectivas para 2018
O Banco Central adotou uma postura prudente em 2017, justificada pela volatilidade dos preços de alimentos. Apesar da inflação mais baixa, a instituição optou por não reduzir a taxa de juros significativamente, evitando riscos associados a fatores como possíveis quebras de safra. Para 2018, a expectativa é de uma inflação mais alta (3,8%, contra o centro da meta de 4,5%), mas ainda assim dentro de uma faixa confortável. Há uma alta probabilidade de novas reduções na taxa de juros, considerando a inflação passada baixa e a perspectiva de inflação futura moderada. A próxima reunião do Banco Central, em fevereiro, deve resultar em mais uma redução de 0,25 pontos percentuais.
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Em resumo, a combinação de uma safra recorde, demanda fraca, competição no varejo e uma política monetária cautelosa resultaram em uma inflação excepcionalmente baixa em 2017. As perspectivas para 2018 indicam uma inflação controlada, permitindo ao Banco Central continuar a reduzir a taxa de juros gradualmente.