Ata do Copom estima corte de juros em fevereiro com possibilidade de crescimento da inflação
Nesta quinta-feira (14/12), o Copom (Comitê de Política Monetária) divulgou sua ata, sinalizando a possibilidade de cortes de juros no início de 2018. Apesar do risco de alta na inflação, especialistas analisam esse cenário com cautela.
Inflação sob Controle e Perspectivas para os Juros
O Comitê de Política Monetária deixou claro que não há grandes riscos inflacionários previstos para o próximo ano. A inflação de 2017 deve fechar abaixo da meta, próxima de 3%, e a inércia inflacionária (influência da inflação do ano anterior) será baixa. Os preços administrados e de grandes conglomerados estão ajustados, sem perspectivas de aceleração significativa. O cenário internacional também foi benigno para o Brasil em 2017, embora isso não deva se perpetuar. Há alta probabilidade de redução da taxa de juros, possivelmente em 0,25% na reunião de fevereiro. Após isso, o Banco Central deve aguardar os resultados da safra agrícola para novas reduções, previstas para junho caso a safra seja boa e os preços de alimentos permaneçam estáveis.
Safra Agrícola e Impactos Econômicos
A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) atualizou suas estimativas de colheita para 2017/2018, prevendo uma produção menor que a do ano anterior, apesar do aumento da área plantada. A safra de 2017 impulsionou o PIB, as exportações e reduziu a inflação. A expectativa para 2018 é de uma queda na produção de grãos, mas ainda em patamares elevados. O preço de alimentos como arroz e feijão deve permanecer em níveis baixos, sem pressão inflacionária significativa. Essa perspectiva reforça a possibilidade de manutenção de uma inflação controlada.
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Vendas no Varejo e a Black Friday
As vendas no varejo registraram queda de 0,9% em outubro, a maior desde 2008. A Black Friday, que ocorre em novembro, pode ter influenciado esse resultado, com adiamento de compras por parte dos consumidores. A queda também pode refletir mudanças no canal de vendas, com crescimento de redes menores em detrimento das grandes. Apesar do número negativo, outros indicadores econômicos (arrecadação de impostos, emprego, produção industrial) apontam para uma recuperação robusta da economia, sugerindo que a queda no varejo não representa uma tendência.
Em resumo, o cenário econômico brasileiro apresenta sinais positivos. A inflação está sob controle, com perspectivas de queda de juros, e a economia demonstra recuperação em diversos setores, apesar de oscilações pontuais como a observada nas vendas do varejo em outubro.