Especialista analisa as medidas econômicas de enfrentamento ao novo coronavírus
A discussão sobre a aprovação de R$ 180 bilhões para os estados, sem contrapartida, para o enfrentamento da crise da Covid-19, gera controvérsias. Segundo Nelson Rocha, economista, embora o recurso seja importante para estados com queda na arrecadação, a forma como o projeto está sendo conduzido no Congresso Nacional é equivocada.
Recursos sem contrapartida: um risco econômico
A principal crítica reside na ausência de contrapartidas por parte dos estados. O dinheiro da União, pertencente a toda a sociedade, é transferido sem exigências de disciplina nos gastos ou compromisso com o combate à pandemia. Essa falta de controle gera uma situação semelhante à criação de dinheiro, com a dívida pública federal crescendo significativamente e os estados gastando rapidamente os recursos.
A crise econômica pós-pandemia
Um mês após o decreto de pandemia, os problemas econômicos começam a se agravar. O isolamento social reduz drasticamente a atividade econômica, afetando empresas e rendas individuais. Embora o auxílio emergencial de R$ 600 seja crucial, a preocupação reside no comportamento de empresas e indivíduos que, mesmo com capacidade financeira, deixam de pagar dívidas, agravando a situação econômica.
Leia também
Responsabilidade e recuperação econômica
A recuperação econômica pós-pandemia dependerá da organização do sistema econômico. É crucial que líderes governamentais, judiciário e cidadãos atuem com responsabilidade, evitando o oportunismo e a inadimplência sem justificativa. O apoio à população mais vulnerável é fundamental, mas a punição àqueles que podem pagar suas dívidas e não o fazem é igualmente necessária para evitar um colapso econômico. A safra agrícola robusta traz um alívio, mas setores como hotelaria, bares e restaurantes precisam de apoio específico. A inflação controlada em março (0,07%) e a perspectiva de uma safra abundante indicam que, com responsabilidade e organização, o Brasil poderá superar a crise.