Crise no Chile faz governo reduzir taxa de juros; na Europa e Ásia, tendência é a mesma
Nesta semana, a crise no Chile veio à tona, com manifestações gerando reflexos no país e no Mercosul. Para comentar a situação, o Giro CBN entrevistou Nelson Rocha Augusto.
Economia Chilena Concentrada e Desigualdade
A economia chilena, de pequeno porte, é altamente dependente do cobre, com participações menores na pesca e fruticultura. Essa concentração gera grande desigualdade de renda. Com uma população politicamente ativa e bem educada, a elevação do preço do metrô serviu como gatilho para protestos, demonstrando a insatisfação com a concentração de riqueza. O governo respondeu com medidas para atenuar a situação, incluindo a redução da taxa de juros pelo Banco Central Chileno (de 2% para 1,75%).
Impacto no Brasil e no Mercosul
Embora o relacionamento comercial entre Brasil e Chile seja relativamente modesto para o tamanho da economia brasileira, a crise chilena apresenta consequências limitadas para o Brasil. A preocupação maior reside na Argentina, devido à sua grave crise econômica e à possibilidade de mudanças políticas após as eleições, o que poderia afetar as políticas do Mercosul.
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Cenário Internacional e Taxas de Juros
A redução das taxas de juros em diversos países, como Chile, Indonésia, Turquia e na zona do euro, indica um ambiente de baixa inflação global. Para o Brasil, isso é positivo, pois atrai investimentos estrangeiros, essenciais para a recuperação econômica e para projetos de infraestrutura. Com o setor público brasileiro sem recursos, a captação de investimentos internacionais, facilitada por taxas de juros baixas globalmente, é crucial para o desenvolvimento do país.
A situação no Chile destaca a importância da diversificação econômica e da distribuição de renda. O cenário internacional de taxas de juros baixas oferece uma oportunidade para o Brasil atrair investimentos e impulsionar sua recuperação econômica, desde que acompanhado de reformas estruturais.