Economista analisa as metas da inflação do Banco Central do Brasil
O Brasil possui uma metodologia própria e sofisticada para análise da meta de inflação, aperfeiçoada ao longo de 20 anos. Essa tecnologia envolve o acompanhamento da atividade econômica, a formação de preços, as expectativas de inflação, e o ambiente internacional, contando com uma robusta rede de contatos, inclusive com bancos centrais globais.
Evolução da Política de Combate à Inflação
A política de combate à inflação brasileira demonstra consistência e evolução progressiva, mesmo com mudanças de governo e presidentes do Banco Central. Um breve período de exceção ocorreu durante o segundo governo Dilma, devido à postura menos combativa à inflação do então ministro Mantega. Apesar disso, a trajetória geral mostra uma continuidade impressionante no projeto de controle inflacionário.
Resultados e Perspectivas
Para este ano, a expectativa é de uma inflação ligeiramente abaixo do centro da meta (4,05% contra 4,25%), um resultado positivo. Além disso, há espaço para redução da taxa de juros (atualmente em 6,5%), considerando a fraca atividade econômica, a alta capacidade instalada na indústria e o elevado desemprego. Essa redução, porém, depende da evolução da reforma previdenciária e de uma melhora no cenário político.
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Cenário Político e Econômico
A inoperância política do governo atual prejudica a atividade econômica, as expectativas de investimento e o nível de emprego. Embora o ministro Paulo Guedes coordene uma equipe com propostas relevantes, o ambiente político instável compromete os avanços. A mudança do COAF para o Ministério da Economia, embora historicamente tenha ficado neste ministério, é considerada um equívoco, pois o combate à corrupção é mais adequado ao Ministério da Justiça. Apesar disso, o Congresso Nacional decidiu pela mudança, e é necessário seguir em frente, acompanhando as novas decisões.