Incentivar os filhos pequenos a usarem roupas e se portarem como adultos é benéfico? Nosso colunista responde!
O uso de roupas e acessórios de adulto por crianças tem se tornado cada vez mais comum, muitas vezes incentivado pelos próprios pais. Mas quais são os riscos dessa prática? Conversamos com o Dr. Jairud Carvalho Jr. para entender melhor as implicações dessa tendência.
Impactos no desenvolvimento físico
Segundo o Dr. Carvalho, vestir crianças com sapatos de salto alto, por exemplo, pode causar danos significativos aos pés, joelhos, quadril e coluna, principalmente em meninas. Roupas inadequadas, como tecidos sintéticos e cores escuras em dias quentes, também podem provocar alergias e outros problemas de saúde, alguns até mesmo a longo prazo.
Consequências para a formação da personalidade
Além dos aspectos físicos, o especialista destaca a importância de permitir que as crianças vivenciem plenamente sua infância. Imitar comportamentos adultos precocemente pode prejudicar o desenvolvimento da personalidade e a construção de uma identidade infantil saudável, comprometendo o período essencial de brincadeiras e atividades próprias da idade. O Dr. Carvalho alerta que elogios excessivos que comparam crianças a adultos (“menininha”, “rapazinho”) podem reforçar esse comportamento inadequado.
Leia também
O papel do comércio e a orientação dos pais
O comércio, com sua oferta de roupas e acessórios “infantis” que imitam os adultos, contribui para esse problema. A facilidade de acesso a esses produtos, somada à pressão da publicidade direcionada às crianças, pode levar a um consumo excessivo e prejudicial. A orientação dos pais é fundamental para que as crianças compreendam a importância de se vestirem de acordo com sua idade e para que se estabeleça um consumo consciente e equilibrado.
Em resumo, a decisão de vestir crianças com roupas e acessórios de adultos deve ser cuidadosamente considerada, levando em conta os potenciais prejuízos à saúde física e ao desenvolvimento psicossocial. A infância é uma fase única e deve ser vivenciada com naturalidade, sem a pressão de imitar o mundo adulto.