Pediatra fala do autismo e de como identificar os sintomas da doença
O transtorno do espectro autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que se manifesta nos primeiros anos de vida, geralmente até os 2 ou 3 anos de idade. Não há cura para o TEA, mas a identificação precoce é crucial para a intervenção e o suporte adequados.
Sinais e Sintomas do TEA
De acordo com o Dr. Iván Savioli Ferras, pediatra, o TEA se caracteriza por três principais aspectos:
- Dificuldade de convívio social: Inclui problemas de comunicação, dificuldade em manter relacionamentos e interagir socialmente.
- Comportamentos repetitivos e restritivos: A criança pode apresentar comportamentos repetitivos, como focar em apenas um detalhe de um objeto (ex: a roda de um carrinho) por longos períodos, em detrimento da brincadeira como um todo. Interesses peculiares também são comuns.
- Dificuldade no processamento sensorial: Sensibilidade excessiva ou reduzida a estímulos sensoriais como luz, som, toque e textura. Isso pode se manifestar como dificuldades alimentares ou aversão a certos ambientes.
A intensidade desses sintomas varia de criança para criança, podendo ser leves ou intensos.
Fatores Genéticos e Outros
A causa do TEA ainda não é totalmente compreendida, mas estudos indicam um forte componente genético. Gêmeos idênticos têm 98% de chance de ambos desenvolverem o TEA se um deles for diagnosticado. Aproximadamente 90% dos casos estão relacionados a fatores genéticos, enquanto os 10% restantes podem ser atribuídos a fatores intrauterinos, como infecções (citomegalovírus), uso de álcool durante a gravidez, prematuridade e algumas síndromes.
Embora meninos sejam diagnosticados com TEA com mais frequência (proporção de 4 para 1 em relação às meninas), o Dr. Ferras destaca que quando meninas são afetadas, os casos tendem a ser mais graves. Não há explicação definitiva para essa diferença entre os sexos.
Vacinas e TEA: Uma Afirmação Falsa
É importante ressaltar que não há nenhuma relação comprovada entre vacinação e o desenvolvimento do TEA. A afirmação contrária é totalmente equivocada, e os pais podem vacinar seus filhos sem medo.
A detecção precoce e a intervenção adequada são fundamentais para auxiliar crianças com TEA a desenvolverem seu máximo potencial. O acompanhamento médico e terapêutico especializado é crucial para garantir o melhor suporte possível.