Colunista explica porque crianças e adolescentes apresentam quadros menos agressivos do novo coronavírus
Ivancia Violi Ferraso, pediatra e professora da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), discute a Covid-19 em crianças e adolescentes.
Covid-19 em Crianças e Adolescentes: Uma Visão Geral
Relatos recentes de mortes por Covid-19 em menores de 18 anos ao redor do mundo apontam que crianças e adolescentes não são imunes às complicações graves da doença. No entanto, o número de casos graves em comparação com adultos é relativamente baixo, indicando que, geralmente, os quadros são menos agressivos.
Possíveis Explicações para Quadros Mais Leves
Diversas hipóteses tentam explicar a menor gravidade da Covid-19 em crianças e adolescentes, nenhuma delas totalmente comprovada. Uma delas sugere que os pulmões mais saudáveis de crianças e adolescentes, menos expostos a poluentes e infecções, contribuem para uma menor suscetibilidade às complicações da doença. Outra hipótese aponta para um menor número da enzima conversora de angiotensina II nas membranas celulares de crianças e adolescentes, o que dificultaria a entrada do vírus nas células pulmonares. Por fim, a resposta imunológica menos exacerbada em crianças, devido à imaturidade do sistema imunológico, também pode ser um fator crucial. Uma resposta imune exacerbada em adultos pode causar danos ao próprio organismo, agravando a doença. Em crianças, essa resposta tende a ser mais moderada.
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Considerações Finais
Provavelmente, a combinação dessas três hipóteses, em diferentes intensidades para cada caso, explica a menor gravidade da Covid-19 em crianças e adolescentes. A recomendação continua sendo a de se proteger, sair de casa apenas quando extremamente necessário, proteger os idosos e aproveitar o tempo livre para atividades como leitura.