Quatro em cada 10 mortes por infarto são de mulheres, diz Sociedade Brasileira de Cardiologia
O infarto, ou ataque cardíaco, é uma doença que, historicamente, foi associada aos homens. No entanto, dados recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia revelam uma realidade preocupante: atualmente, quatro em cada dez mortes por infarto são de mulheres. Este número representa um aumento de 400% nos últimos 50 anos, exigindo uma urgente mudança de perspectiva e atenção à saúde feminina.
Mudanças no estilo de vida e jornada dupla
Diversos fatores contribuem para esse aumento alarmante. A inserção da mulher no mercado de trabalho, resultando na dupla jornada (trabalho fora e em casa), impacta diretamente o estilo de vida. Com jornadas mais longas e responsabilidades divididas, muitas mulheres enfrentam maior estresse, além de hábitos menos saudáveis, como aumento no consumo de tabaco e álcool e diminuição da prática de exercícios físicos. A combinação desses fatores aumenta significativamente o risco de infarto.
Diagnóstico tardio e sintomas atípicos
Outro ponto crucial é o atraso no diagnóstico. Mulheres tendem a procurar ajuda médica mais tardiamente, muitas vezes por desconhecimento dos sintomas ou por subestimar a gravidade da situação. Os sintomas do infarto em mulheres podem ser diferentes dos sintomas clássicos em homens (dor no peito). Metade das mulheres apresenta sintomas atípicos, como dor abdominal, muscular, fadiga, distúrbios do sono, falta de ar, e dores nas costas ou estômago. Essa diversidade de sintomas dificulta o diagnóstico precoce e aumenta a gravidade das consequências.
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Menopausa, depressão e outros fatores de risco
A menopausa é um fator de risco significativo, pois a redução na produção de estrogênio, hormônio protetor das artérias, aumenta a vulnerabilidade ao infarto. Além disso, a incidência de depressão é duas vezes maior em mulheres do que em homens, sendo a depressão também um fator de risco para infarto. Outros fatores de risco incluem colesterol alto, diabetes, hipertensão, tabagismo, sedentarismo, uso de pílula anticoncepcional, ansiedade e histórico de diabetes ou hipertensão na gravidez.
Em suma, o infarto deixou de ser uma doença predominantemente masculina. A conscientização sobre os fatores de risco específicos para mulheres, a busca por diagnóstico precoce e a adoção de hábitos de vida saudáveis são cruciais para reduzir a mortalidade feminina por infarto. É fundamental que as mulheres estejam atentas aos sintomas, procurem ajuda médica regularmente e priorizem a prevenção, principalmente a partir da pré-menopausa.



