Pesquisa revela que uma em cada três mulheres não sente segurança para denunciar qualquer tipo de assédio no trabalho
Uma pesquisa recente da Tric, consultoria especializada em diversidade de gênero, em parceria com o Instituto Qualibeste, revelou um dado alarmante: uma em cada três mulheres não se sente segura para denunciar assédio no trabalho.
Assédio no ambiente profissional: um problema silencioso
O estudo, que ouviu 600 trabalhadores de todo o Brasil, apontou que o medo de retaliação, falta de sigilo e a insegurança quanto à proteção após a denúncia são os principais motivos para o silêncio. O assédio não se limita ao sexual; a pesquisa engloba ofensas, discriminação e desigualdade de gênero em promoções, por exemplo.
A dimensão do problema e a falta de canais de denúncia
Mais da metade dos entrevistados (51%) já presenciaram colegas sendo ofendidos ou prejudicados por questões de gênero ou sexualidade. Entre as mulheres, 51% acreditam que seus líderes não se preocupam com a promoção da diversidade de gênero na empresa. A situação é ainda mais preocupante em empresas de pequeno porte, onde apenas 20% possuem um canal interno para denúncias. Dados revelam que 27% das empresas apresentam casos de assédio moral, sexual ou discriminação de gênero, incluindo contra gestantes. A falta de canais de denúncia e a desconfiança na garantia de sigilo e proteção (34% dos entrevistados não confiam nesse aspecto) contribuem para a subnotificação do problema.
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A necessidade de mudança cultural nas empresas
A pesquisa também destaca a falta de iniciativas das empresas para tratar do tema. Sete em cada dez entrevistados afirmaram que suas empresas nunca realizaram ações para promover o respeito e a igualdade de gênero no trabalho, como palestras, treinamentos ou discussões internas. A pesquisa reforça a urgência de ações para garantir um ambiente de trabalho seguro e igualitário, considerando que a igualdade de gênero é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A falta de canais de denúncia e a desconfiança na proteção oferecida pelas empresas impedem que muitas mulheres denunciem o assédio sofrido, perpetuando um ciclo de silêncio e impunidade. É fundamental que as empresas invistam em treinamentos, criem canais de denúncia seguros e garantam a proteção dos funcionários que relatam casos de assédio.



