Pesquisa revela que mais de 40% das mulheres têm vergonha de comprar preservativos
A pesquisa, realizada por uma das líderes mundiais em preservativos e analisada pela antropóloga Miran Godenberg, entrevistou 500 mulheres e 500 homens entre 18 e 35 anos. Os resultados revelaram um descompasso entre o discurso libertário sobre a sexualidade feminina e a realidade.
Vergonha na hora de comprar
Mais de 40% das mulheres entrevistadas afirmaram sentir vergonha ou desconforto ao comprar camisinhas, um índice que chega a 49% entre as mulheres de 18 a 24 anos. Esse constrangimento está ligado ao medo do julgamento social, sendo associado à ideia de promiscuidade ou de não serem consideradas boas parceiras para relacionamentos sérios. Em contraste, 72% dos homens não relatam desconforto na compra de preservativos.
Hábitos de prevenção
A pesquisa também apontou que 52% das mulheres entrevistadas afirmaram nunca usar camisinhas, índice que sobe para 58% na faixa etária de 18 a 24 anos. Entre os homens, 47% relataram nunca ou raramente usar preservativos, número que aumenta para 66% entre os mais jovens. Apesar da falta de prevenção, 57% das mulheres admitiram ter medo de gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).
A cultura da vergonha
A antropóloga Miran Godenberg atribui essa discrepância entre discurso e prática a uma questão cultural, onde a mulher ainda carrega o peso de um julgamento moral que não se aplica da mesma forma aos homens. A pesquisa destaca a contradição entre o medo da mulher em comprar camisinhas e o medo subsequente de gravidez ou DSTs. Apenas 29% das mulheres afirmaram já ter levado camisinhas na bolsa, mostrando a falta de prevenção em relação à saúde sexual feminina.
Os dados levantados pela pesquisa reforçam a necessidade de campanhas de conscientização para combater o tabu em torno da compra e uso de preservativos, promovendo a saúde sexual e a igualdade de gênero no acesso à prevenção.



