Compartilhar ataques como o da escola em Suzano nas redes sociais ajuda a incentivar outros ataques? Confira o comentário
A onda de violência global, com eventos como o ataque à escola de Christchurch, na Nova Zelândia, o atentado em uma escola na Holanda e até mesmo um incidente em Ribeirão Preto, levanta questionamentos sobre o papel da internet nesse contexto. O especialista em mídias digitais Eduardo Soares contribui para a reflexão.
A Deep Web e o Planejamento da Violência
Segundo Soares, a deep web, um universo paralelo da internet acessível apenas por meio de ferramentas e métodos específicos, facilita a comunicação entre grupos que discutem temas polêmicos e planejam atos violentos. Embora a deep web exista há anos, a sua utilização em eventos recentes trouxe a discussão à tona. Ele destaca que o problema não se restringe à deep web, mas também se manifesta em grupos fechados de aplicativos de mensagens, onde discussões sobre crimes e preconceitos ocorrem diariamente.
Responsabilidade das Plataformas Digitais
No caso da transmissão ao vivo do ataque na Nova Zelândia, surge a questão da responsabilidade das plataformas online. Soares menciona o exemplo de um assassinato transmitido ao vivo pelo Facebook em 2017, em Ohio. Plataformas como Facebook, YouTube e Twitter tentam remover conteúdo violento, mas o volume e a velocidade de disseminação dificultam o processo. A eficácia dos sistemas de moderação automatizada é limitada, e a responsabilidade compartilhada entre plataformas e usuários é crucial.
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A Responsabilidade Compartilhada
Soares enfatiza a responsabilidade individual no compartilhamento de conteúdo violento. O ato de compartilhar vídeos como o da Nova Zelândia contribui para a disseminação da violência. A internet evoluiu, e os usuários não são mais apenas receptores passivos de conteúdo, mas também produtores e disseminadores. Essa nova dinâmica exige uma postura mais consciente e responsável de todos, incluindo o poder público, as forças policiais, as leis e as próprias plataformas digitais. A discussão sobre liberdade versus responsabilidade na era digital é fundamental e requer um debate contínuo.