Professora faz análise da obra ‘Morte e Vida Severina’ de João Cabral de Melo Neto
Neste mês de dezembro, a conversa se volta para o Natal, um tempo de balanço, sonhos e perspectivas para o ano novo. Para refletir sobre esse momento, analisaremos o poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, um texto natalino pernambucano que conta a história de Severino, um retirante em busca de uma vida melhor.
Morte e Vida: Um Balanço do Ano
O título, “Morte e Vida Severina”, já propõe uma reflexão interessante para o fim de ano. A “morte” pode simbolizar os desafios e dificuldades enfrentados, enquanto a “vida” representa a esperança, os sonhos e as realizações. A obra acompanha Severino em sua jornada do sertão ao litoral, mostrando o desencanto, a miséria e a falta de oportunidades. Apesar das adversidades, Severino mantém a fé, sonhando com uma vida melhor no Recife.
A Jornada de Severino: Uma Busca por Esperança
A narrativa possui um ritmo oraçônico e ritmado, como uma ladainha, que acompanha o retirante em sua jornada. Ele busca trabalho, mas encontra apenas dificuldades e falta de oportunidades. O poema descreve a dura realidade do sertão e a esperança que o move em direção ao litoral. Um trecho marcante ilustra essa busca:
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“Bem me diziam que a Terra se faz mais branca e macia quanto mais do litoral a viagem se aproxima. Agora, afinal, cheguei nessa Terra que diziam, como ela é uma terra doce para os pés e para a vista. Os rios que correm aqui têm a água vitalícia, cacimbas por todo lado, cavando o chão água mina. Vejo atrásra que é verdade o que pensei ser mentira. Quem sabe se nessa Terra não plantarei minha sina?”
Esses versos demonstram a esperança de Severino ao chegar em uma terra que lhe parece promissora. A busca por um novo recomeço é o que impulsiona sua jornada.
Um Novo Ano, Um Novo Começo
Assim como Severino busca um novo recomeço no Recife, o Natal nos convida a refletir sobre o ano que termina e a planejar o novo ano que se aproxima. Que possamos, como Severino, manter a esperança e a fé, mesmo diante das dificuldades. Que o “Recife dentro de nós”, o litoral que buscamos, seja um tempo de revisão, mas também de busca de sonhos e de renascimento. Um tempo para cultivar o gosto pelo novo e pela vida.