Colunista comenta as semelhanças e diferenças entre as línguas
A palavra “Babel”, frequentemente associada à confusão, possui uma origem rica em história e significado. Derivada de Babilônia, antigo reino da Mesopotâmia (atual Iraque), a palavra está intrinsecamente ligada a um mito mesopotâmico, também presente na Bíblia, que narra a construção de uma torre que alcançaria os céus. A punição divina pela ousadia humana resultou na confusão das línguas, impossibilitando a comunicação entre os construtores.
Do Mito à Linguística:
A narrativa bíblica sobre a Torre de Babel perpetuou a associação da palavra com a falta de entendimento. No entanto, estudos linguísticos do século XIX, comparando línguas como latim, grego, persa e sânscrito, revelaram semelhanças significativas, sugerindo uma origem comum. Essa pesquisa científica contrapõe o mito, oferecendo uma explicação alternativa para a diversidade linguística: a evolução natural das línguas ao longo do tempo e da migração humana.
Babel na Literatura:
Na literatura, a imagem de Babel frequentemente evoca a confusão linguística e a dificuldade de comunicação. Camões, em seu poema sobre o cativeiro babilônico, utiliza a metáfora da Babel para representar o estranhamento e a falta de entendimento entre povos e culturas diferentes. A obra transcende a narrativa histórica, explorando a complexa relação entre comunicação e compreensão em diferentes contextos temporais.
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Babel como Símbolo:
Apesar da associação com a desordem, a palavra “Babel” também pode ser usada para representar a riqueza e a diversidade da comunicação humana. A música “Torre de Babel”, de Lourenço Rodrigues, interpretada por Joana, exemplifica essa perspectiva, demonstrando que a expressão pode ser empregada para falar tanto de entendimento quanto de desentendimento. A chave está na interpretação e no contexto em que a palavra é utilizada.