Você sabe o que é um ‘hipérbato’? Marisa Giannecchini responde
Neste artigo, exploraremos diferentes figuras de linguagem e seus efeitos na construção de sentidos. Abordaremos o hiperbato, a antítese, o paradoxo e a prosopopeia, ilustrando-as com exemplos da literatura e da música.
Hiperbato: Brincando com a Ordem das Palavras
O hiperbato consiste em alterar a ordem usual das palavras em uma frase, criando um efeito estilístico. Observe o exemplo: “Ou viram do hiperanga as margens plácidas de um povo heroico, o brado retumbante.” Na ordem direta, teríamos: “As margens plácidas do hiperanga ou viram o brado retumbante de um povo heroico.” Essa inversão pode gerar ritmo e ênfase em determinados termos, conferindo originalidade ao texto.
Antítese, Paradoxo e a Arte da Contradição
A antítese apresenta ideias opostas, contrastantes, como em “a cidade que estava vazia encheu-se de gente”. Já o paradoxo envolve a coexistência de ideias contraditórias, como em um soneto de Camões: “É amor, é um fogo que arde sem se ver. É ferida que dói e não se sente.” A aparente contradição cria um efeito de profundidade e complexidade.
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Prosopopeia: Voz aos Inanimados
Na prosopopeia, atribui-se características humanas a seres inanimados ou animais. A fábula do lobo e do cordeiro é um exemplo clássico. Uma releitura moderna dessa fábula subverte a narrativa tradicional, mostrando como a inteligência pode superar a força bruta. A moral da história, “quem tem fome não deve se meter em filosofias”, ilustra a complexidade da narrativa.
As figuras de linguagem, como o hiperbato, a antítese, o paradoxo e a prosopopeia, enriquecem a expressão, conferindo nuances e profundidade aos textos. Elas demonstram a criatividade da linguagem e a capacidade de expressar ideias complexas de forma original e impactante. A música, assim como a literatura, utiliza-se amplamente desses recursos estilísticos para criar efeitos expressivos.