Colunista relembra a sátira à língua portuguesa na obra ‘Macunaíma’
Neste artigo, exploraremos a obra Macunaíma, de Mário de Andrade, publicada em 1928, focando em um trecho específico que revela aspectos interessantes da língua portuguesa e da identidade brasileira.
A Linguagem de Macunaíma: Uma Rhapsódia Brasileira
Macunaíma, considerada pelo próprio autor uma “rhapsódia”, utiliza uma linguagem solta e próxima à fala cotidiana, característica marcante do Modernismo brasileiro. Essa escolha reflete a proposta dos modernistas de aproximar a literatura da realidade do povo, rompendo com o formalismo da linguagem acadêmica.
A “Carta para as Ecamiatas”: Sofisticação e Sátira
Um capítulo de Macunaíma, intitulado “Carta para as Ecamiatas”, apresenta uma quebra de estilo notável. Macunaíma, personagem que havia frequentado cursos, utiliza um vocabulário extremamente sofisticado em sua carta, visando impressionar as amazonas a quem pede dinheiro. Essa escolha estilística funciona como uma sátira, expondo a pretensão de alguns brasileiros da época em usar uma linguagem rebuscada, mesmo sem o domínio necessário, revelando uma faceta da identidade nacional.
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Reflexões sobre a Língua e a Identidade
O uso do tratamento de voz, em desuso na linguagem cotidiana, no trecho analisado, destaca a intenção de Mário de Andrade de criticar a afetação na linguagem. A obra nos convida a refletir sobre a importância de usar a língua portuguesa com clareza e propriedade, sem cair em artifícios vazios. A busca por uma linguagem sofisticada, sem o devido domínio, pode obscurecer a mensagem e comprometer a comunicação eficaz. A construção de textos claros e limpos, com o uso adequado das palavras, deve ser o objetivo principal.