Professora explica como os povos antigos faziam para explicar fenômenos naturais em um tempo que não existia ciência
Neste encontro semanal com a educadora Marisa Giannik, discutimos a narrativa criada pelos homens para explicar as estações do ano. Antes da ciência, a oralidade transmitia histórias que, posteriormente, foram registradas por escrito. Os mitos, reinventados em tempos modernos, mostram como a humanidade buscava compreender o mundo.
A inventividade humana e a mitologia grega
A explicação mitológica grega para as estações do ano envolve Demeter e Perséfone. Perséfone, filha de Demeter e Zeus, era uma mulher de beleza excepcional. Hades, deus do mundo dos mortos, se apaixona por ela e a rapta. Demeter, desolada, chora copiosamente, e Zeus intervém para que Hades devolva sua filha.
O acordo entre Hades e Demeter
Um acordo é feito: Perséfone passará parte do ano com Hades no mundo dos mortos (representando o inverno e a morte da natureza) e parte com sua mãe, simbolizando a primavera e o verão. Este ciclo representa a fertilidade da terra, o tempo de plantio e a renovação da natureza. Essa narrativa, com variações, é encontrada em outras culturas, demonstrando a busca universal por explicações para os ciclos naturais.
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O mito e a realidade
Antes do conhecimento científico, como o heliocentrismo, que explica a translação da Terra, os mitos forneciam uma explicação cíclica para as estações. A narrativa mitológica, portanto, reflete a capacidade humana de criar histórias para entender o mundo, combinando o mito (narrativa) e o logos (razão e conhecimento). A história de Demeter e Perséfone ilustra a inventividade humana ao abordar temas como vida e morte, utilizando deuses e suas paixões para representar conflitos e acordos amorosos. Assim, compreendemos a beleza da criação humana em busca de significado para os ciclos da natureza, e como esses mitos permanecem relevantes em nossa compreensão do mundo.