Qual o caminho que uma expressão percorre para ser enquadrada na normal culta? Confira o comentário
A língua portuguesa está em constante transformação, incorporando novas palavras e expressões ao seu léxico. Mas como um novo uso se integra à norma culta? Marisa Gnikini, educadora, explica em entrevista à CBN.
Da fala à norma culta
O processo de incorporação de novos termos começa com a assimilação pela população. A mídia, falada e escrita, contribui para a disseminação, assim como escritores em suas obras literárias. Com o tempo, essas novas construções linguísticas podem chegar aos dicionários e gramáticas, tornando-se parte do padrão formal da língua. Entretanto, nem sempre há consenso, com alguns rejeitando o novo em nome da tradição, enquanto outros aceitam a coexistência do antigo e do novo.
Exemplos de mudanças na língua
A educadora cita exemplos como “terra planagem” em vez de “terra plenagem”, e o uso da preposição “com” em “eu namoro com”, que embora não seja tradicionalmente correto, vem se tornando cada vez mais comum, especialmente entre os jovens. A discussão sobre a regência do verbo “implicar” também é abordada, mostrando a coexistência de diferentes usos.
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A norma culta e o uso informal
Gnikini defende o uso da norma culta em contextos formais, como na escrita e em discursos públicos. No entanto, reconhece a flexibilidade da língua e a naturalidade de variações informais em contextos mais descontraídos, como em conversas entre amigos ou em situações amorosas, exemplificando com o uso de “namorar com”. A entrevista finaliza com a reflexão de que a beleza dos afetos muitas vezes prescinde da formalidade da linguagem.