Colunista analisa as frases que entraram em desuso e as que pedem passagem e já estão na ‘boca do povo’
A língua portuguesa, assim como a vida, está em constante movimento. Palavras e expressões envelhecem, enquanto outras surgem, refletindo as mudanças sociais e culturais. Uma experiência pessoal da educadora Marisa Gernikini ilustra bem essa dinâmica.
Um erro de português?
Durante um encontro descontraído com amigos, Marisa usou a forma “eu tinha pagado”, do verbo pagar. Uma amiga a corrigiu, afirmando que o correto seria “eu tinha pago”. A educadora explicou que ambas as formas são válidas, pois o verbo “pagar” é abundante, possuindo mais de uma forma para o mesmo tempo verbal. “Pagado”, “ganhado”, “aceitado”, são formas tradicionais usadas com os verbos “ter” e “haver” (ex: eu tinha pagado a conta), enquanto “pago” é usado com “ser” e “estar” (ex: a conta está paga).
Normas cultas e novas tendências
Marisa destaca que, embora internalize as normas da língua culta, está aberta a novas tendências. Ela reconhece que o uso de “pago” com “ter” e “haver” pode estar em declínio, dando lugar à forma reduzida com “ser” e “estar”. No entanto, enfatiza que a forma tradicional não é incorreta. A educadora exemplifica com outras construções verbais, mostrando a flexibilidade e a evolução da língua.
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Limites da flexibilidade
Por outro lado, Marisa ressalta a importância de respeitar as regras gramaticais. Ela critica construções como “eu tinha chego”, pois o particípio do verbo “chegar” é apenas “chegado”, não existindo a forma “chego”. Para ela, a gramática não pode ser totalmente “escancarada”, permitindo qualquer construção. A língua, apesar de dinâmica, possui normas que devem ser observadas para garantir clareza e precisão.
Em suma, a experiência de Marisa ilustra a complexidade da língua portuguesa, que se adapta às mudanças sociais sem perder sua estrutura. A coexistência de formas verbais e a necessidade de respeitar as regras gramaticais demonstram a riqueza e a dinâmica do idioma.