‘Penso, logo existo’; saiba o significado da frase e de seu criador, o francês René Descartes
Neste programa de Tardes de Poesia, exploramos a famosa frase “Penso, logo existo”.
Origem e contexto histórico
Apesar de amplamente utilizada nos dias de hoje, a expressão “Penso, logo existo” (Cogito, ergo sum em latim, Je pense, donc je suis em francês) surgiu no século XVII com o filósofo e matemático René Descartes. Em meio a uma profunda crise existencial, na qual questionava a veracidade de tudo o que aprendera, Descartes chegou à conclusão de que a única certeza inabalável era a sua própria capacidade de pensar. Essa certeza, para ele, comprovava sua existência.
Descartes e o “Discurso do Método”
A frase “Penso, logo existo” tornou-se um ponto central da obra de Descartes, Discurso do Método. A partir dessa afirmação fundamental, ele construiu um novo sistema filosófico baseado no racionalismo, buscando a verdade através da razão e da dúvida metódica. A frase transcendeu o contexto original e se tornou um alicerce para a busca do conhecimento.
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Aplicações e reflexões contemporâneas
A expressão “Penso, logo existo” ultrapassa os limites da filosofia e se presta a diversas interpretações. Podemos adaptá-la para refletir sobre a existência humana: “Sonho, logo existo”, “Leio, logo existo”, “Ouço, logo existo”. A frase também serve como crítica ao consumismo exacerbado, contrastando a aquisição compulsiva de bens (“Compro, logo existo”) com a verdadeira essência da existência humana. O consumo é inerente à vida, mas o consumismo é uma armadilha que distorce a busca pela felicidade.
O programa finaliza com uma reflexão sobre a existência e a importância de valorizarmos os momentos presentes e as experiências genuínas, para além do materialismo. A música de Betty Carvalho, artista da época dos festivais de 1968, encerra a discussão, adicionando uma camada artística e nostálgica à reflexão proposta.