Professora destrincha as noções de ‘personagem’ e ‘pessoa’ na língua portuguesa
A educadora Marisa Janikini discorreu em seu programa na CBN sobre a importante distinção entre os termos "personagem" e "pessoa". Apesar de etimologicamente próximos, ambos carregam conotações distintas.
Personagem: Ficção e Invenção
No contexto literário, "personagem" remete ao âmbito da ficção, da invenção. Seja em romances, contos ou novelas, a personagem é construída por meio de palavras, existindo apenas no papel, na tela ou em outros meios digitais. Este cenário virtual não representa a realidade.
Pessoa: Ser Ontológico
Em contraponto, "pessoa" se refere ao sujeito ontológico, o ser humano em sua essência. A confusão entre esses termos, porém, é frequente. A educadora cita o julgamento de Gustave Flaubert, autor de "Madame Bovary", no século XIX. Acusado de incitar ao adultério, Flaubert defendeu-se argumentando que a personagem, criação ficcional, não se confunde com a pessoa real, e portanto não é passível de julgamento moral. A arte, segundo ele, é o espaço da invenção, simulando a vida humana, mas sem se confundir com ela.
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A discussão proposta por Marisa Janikini destaca a necessidade de se diferenciar a criação artística da realidade. A personagem literária, teatral ou de qualquer outra manifestação artística, serve como veículo para a expressão de ideias, sem que isso implique em responsabilidade moral do autor ou artista. A arte, portanto, é um espaço de liberdade criativa, onde a simulação da vida humana permite reflexões e explorações sem a obrigação de corresponder à moralidade do mundo real. A emissora finaliza o programa com a música "Iracema", de Adoniram Barbosa, na voz de Elis Regina.