Colunista analisa a expressão ‘Jeitinho Brasileiro’, tão falado pelo país afora
Neste artigo, discutiremos a complexidade da expressão "jeitinho brasileiro", analisando suas diferentes interpretações ao longo da história e da cultura brasileira.
O Jeitinho Brasileiro: Entre a Malandragem e a Cordialidade
A expressão "jeitinho brasileiro" tem sido usada para descrever um comportamento que se situa entre a ordem e a desordem, muitas vezes associado à malandragem e à capacidade de improvisação. Autores como Mário de Andrade, em sua obra Macunaíma, retrataram esse aspecto de forma lúdica e carnavalesca. No entanto, essa visão foi contestada por sociólogos como Sérgio Buarque de Holanda, que em Raízes do Brasil, criticou o "homem cordial" e a falta de rigor e compromisso com as regras, apontando a complacência como um vício grave da cultura brasileira.
O Jeitinho nos Negócios: Uma Perspectiva Inesperada
Apesar das críticas, uma nova perspectiva sobre o "jeitinho brasileiro" tem surgido. Estudos recentes apontam que a flexibilidade e a capacidade de diálogo presentes nessa abordagem podem ser vistas como vantagens no mundo dos negócios. Um economista francês, Pierre Fayard, observou que empresários brasileiros demonstram maior desenvoltura e capacidade de negociação em comparação com seus pares europeus, buscando estratégias para alcançar acordos sem rigidez excessiva. Essa capacidade de adaptação e negociação é vista por alguns como um diferencial competitivo.
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Um Equilíbrio entre Critério e Flexibilidade
O desafio reside em encontrar um equilíbrio entre o rigor ético e a flexibilidade do "jeitinho". A autora defende que, com critério, é possível utilizar o "jeitinho brasileiro" de forma positiva, buscando soluções criativas e adaptáveis sem comprometer a ética. A proposta é buscar um "meio termo", um limiar entre a rigidez e a flexibilidade, permitindo que as coisas se acertem com um pouco mais de tempo e negociação. No contexto natalino, a autora convida a uma reflexão sobre a possibilidade de sermos mais leves e menos radicais em nossas ações, buscando a abertura para mudanças e novas perspectivas.