Colunista fala sobre ‘acentuação gráfica’ na língua portuguesa
Nesta edição, abordaremos a acentuação gráfica em português, especificamente o uso do acento agudo e circunflexo. Deixaremos o acento grave para uma próxima oportunidade.
Elitismo na Língua Portuguesa
A utilização de palavras proparoxítonas (aquelas com acento na antipenúltima sílaba) é muitas vezes associada a um certo elitismo. Ao longo da evolução da língua portuguesa, houve uma tendência a evitar essas palavras, como ilustra a transformação de “cátedra” em “cadeira”, por exemplo. Mesmo hoje, observa-se uma preferência por formas mais populares, como em “corregou” que se transforma em “corgo”.
Proparoxítonas e Sofisticação
Curiosamente, em alguns casos, a sofisticação de uma palavra leva à sua transformação em proparoxítona. Um exemplo é “misantropo”, que alguns pronunciam como “misantropo” para soar mais elegante. O autor Eduardo Afonso, em texto disponível no Facebook, destaca essa “discriminação”, ironizando a superioridade atribuída às proparoxítonas. Ele utiliza uma série de proparoxítonas em seu texto para ilustrar esse ponto, contrastando termos populares com seus equivalentes mais sofisticados (ex: “arruaceiro” vs. “vândalo”, “artesão” vs. “artífice”).
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Aceitando a Diversidade da Língua
Embora reconhecendo a existência dessa preferência pelas proparoxítonas, a discussão não deve se limitar a elas. A língua portuguesa é rica em sua diversidade, incluindo palavras paroxítonas, oxítonas, monossílabos átonos e tônicos. A riqueza da língua reside em sua capacidade de expressar diferentes nuances e estilos, e o uso de todas as classes de palavras contribui para essa expressividade. A música “Construção”, de Chico Buarque, exemplifica o uso da acentuação gráfica em poesia, demonstrando a beleza da língua em sua totalidade.