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Preconceito linguístico: um debate necessário
Do certo e errado à funcionalidade da língua
Durante muito tempo, valorizar a norma culta do português significou excluir outras modalidades linguísticas, considerando-as como erros. A oposição entre certo e errado gerava discriminação. Entretanto, com o tempo, linguistas passaram a enfatizar a funcionalidade da língua e a importância do uso adequado em cada situação comunicativa. Reconhece-se, assim, a existência de diversas modalidades, como a popular (“o ovo quebrou”) e a informal (“eu vi ele no cinema”), que permitem a comunicação eficaz entre interlocutores.
Norma culta: inclusão social e competência linguística
Embora se respeitem todas as modalidades linguísticas, a norma culta se destaca como fundamental para a inclusão social. Ela garante a competência linguística necessária em situações formais como entrevistas, provas, concursos e produção de textos escritos. O aprendizado da norma culta ocorre na escola, nos meios de comunicação e em livros que demonstram clareza e nível de linguagem mais elaborado. A literatura e outras formas de expressão artística, como as histórias em quadrinhos, contribuem para o desenvolvimento dessa competência, mostrando a beleza e o bom gosto na construção textual.
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O equívoco de considerar a norma culta elitista
Atualmente, observa-se um novo desafio: a norma culta é erroneamente associada ao elitismo, como se fosse privilégio de um pequeno grupo. Essa visão ignora o fato de que o acesso à norma culta é um direito de todos os cidadãos e um instrumento de inclusão social. A literatura, embora importante, não é a única forma de acesso a esse conhecimento. O ensino da norma culta deve ser democrático e inclusivo, garantindo a todos a oportunidade de se expressarem com competência em diferentes contextos.
Portanto, respeitar a diversidade linguística não significa abandonar a norma culta. Pelo contrário, promover o acesso a ela é fundamental para a inclusão social e o desenvolvimento da competência linguística de todos, assegurando a participação plena e equitativa em diversos âmbitos da sociedade. A riqueza da língua portuguesa reside em sua variedade, mas a norma culta permanece como ferramenta essencial para a comunicação formal e a ascensão social.