Colunista fala sobre limites e limiares na língua portuguesa
Muito boa tarde, ouvintes da CBN! Sou Marisa Janiquine e estamos no Papo Certo. Um prazer enorme dividir reflexões sobre a língua portuguesa. No encontro anterior, falamos do plural dos nomes compostos; hoje, mudamos um pouco o disco.
Limites e Limiares: Uma Reflexão Pessoal
O tema de hoje é “limites e limiares”. O limite é fixo, o limiar tem movimento. Para ilustrar, contarei um pouco da minha vida. Meu pai era um machista amoroso: em casa, a conversa era sempre esporte e educação para os irmãos, enquanto nós, mulheres, tínhamos “outro sonho”: aprender línguas. Ele achava que estudar línguas, como francês, combinava com o perfil feminino. Hoje reconheço o machismo, mas entendo o carinho. Na adolescência, eu não tinha afinidade com português; minha paixão era matemática. Até hoje me considero apaixonada por matemática, e o português entrou em minha vida por meio da paixão.
Interdisciplinaridade: Quebrando as Barreiras do Conhecimento
A divisão entre ciências exatas, biológicas e humanas não faz muito sentido para mim; o conhecimento é um todo. Um aluno adulto me trouxe um livro sobre a Teoria da Catástrofe de René Thom. Mesmo sem conhecimento prévio, aceitei o desafio. Comecei a ler o livro de trás para frente: a última parte tratava da construção dos sentidos por meio das linguagens – minha praia! O tema era a previsibilidade e o imprevisto, algo que acontece constantemente em nossas vidas. A segunda parte abordava a psicanálise, mostrando como o ser humano programa previsões, buscando controle, mas um fato novo desorganiza a ordem estabelecida. A primeira parte, a matemática, mostrava que aqueles que defendem as ciências exatas chamam essa mudança de ‘catástrofe’. René Thom, o francês, também usou o termo, mas eu diria que a ‘catástrofe’ é a vida, e não precisamos sofrer com ela. Devemos modalizar, pois o mundo não está sob nosso controle.
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A Língua Portuguesa como Tradução da Vida
Finalizando com uma música de Tom Jobim, “Aula de Matemática”, que ilustra a interdisciplinaridade e o diálogo entre áreas do conhecimento. Mesmo falando de matemática, a língua portuguesa é tradução. Na vida, é sempre bom multiplicar, demonstrando o quanto gostamos do que fazemos. Um grande abraço e até a próxima semana!