Colunista fala das diferenças nos métodos educacionais entre Brasil e França
Neste mês de janeiro, compartilho reflexões sobre a experiência com a língua portuguesa e a importância da memória na construção da nossa identidade. A conversa de hoje se concentra na memória e como ela influencia nossa forma de falar e escrever.
A Memória como Ferramenta de Expressão
Em uma visita a escolas francesas, observei uma prática interessante: as crianças recebiam pequenos poemas para memorizar, sem a obrigação de tarefas para casa. A justificativa era simples e poderosa: aquilo que aprendemos na infância permanece conosco, enriquecendo nosso repertório para a vida adulta. Ao falar ou escrever, podemos resgatar esses versos, integrando-os ao nosso raciocínio.
A Importância da Memorização na Construção da Identidade
Minha própria experiência corrobora essa ideia. Embora não decore poemas como tarefa, os que me marcaram profundamente permanecem em minha memória, mesmo que apenas em fragmentos. Às vezes, ao recitar um poema, invento os versos que não consigo lembrar, mantendo o ritmo e a essência da obra. Isso demonstra como a memória, mesmo incompleta, contribui para a nossa expressão.
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Vozes e Experiências Entrelaçadas
Em um curso para adultos, ao declamar trechos da “Elegia na Morte de Clodoaldo Pereira da Silva”, de Vinícius de Moraes, observei a comoção na plateia. A emoção demonstra o poder da memória compartilhada e da capacidade de conectar vozes e experiências. Acumulamos bagagem, emprestamos palavras e construímos nossa identidade por meio dessa interação contínua. Compartilho essa paixão pelas letras e pela música, oferecendo a vocês uma canção de Luiz Airão, interpretada por Luma Galvão, como um gesto de respeito àqueles que constroem a história do Brasil.