Colunista faz análise da obra do italiano Italo Calvino
Neste artigo, exploraremos a ideia de clássicos literários a partir da perspectiva da escritora Marisa Janikini, que discute a obra de Italo Calvino, Por que ler os clássicos. Janikini destaca a importância da releitura e da experiência pessoal na interpretação de textos literários.
A Releitura como Descoberta
Para Calvino, um clássico é um livro que nunca termina de dizer o que tem a dizer. Janikini reforça essa ideia, argumentando que toda primeira leitura é, na verdade, uma releitura, e que cada nova leitura nos revela novos aspectos da obra. A compreensão de um clássico é um processo contínuo e evolutivo, moldado pela nossa própria experiência e bagagem cultural.
A Natureza dos Clássicos e a Experiência Pessoal
A autora destaca que a dificuldade em compreender um texto considerado clássico não significa falta de recursos intelectuais do leitor. Pelo contrário, a multiplicidade de interpretações e a capacidade de um texto nos marcar profundamente são características inerentes aos clássicos. A experiência pessoal do leitor, suas vivências e perspectivas, são fundamentais para a construção do significado da obra.
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A Pluralidade de Vozes e a Marca Pessoal
Janikini utiliza a canção Bebê, de Elis Regina, como exemplo de texto que, como um clássico, nos marca e compõe nossa história pessoal. A música, assim como um livro, um poema ou uma peça de teatro, se torna parte de nossa identidade, contribuindo para a pluralidade de vozes que nos constituem. A experiência de leitura, portanto, é única e intransferível, construída na interação entre o texto e o leitor.
A leitura de clássicos é um processo dinâmico, marcado pela releitura e pela experiência individual. A compreensão de uma obra se transforma ao longo do tempo, enriquecida por novas perspectivas e pela nossa própria jornada pessoal. A interação entre texto e leitor é fundamental para a construção do significado, tornando cada leitura uma descoberta única e inesquecível.