Professora usa poema de Fernando Pessoa para falar do Natal
Neste Natal de 2017, vamos refletir sobre o nascimento de Jesus Cristo por meio da poesia de Fernando Pessoa, mais especificamente, o poema “O Guardador de Rebanhos”, escrito sob a máscara de Alberto Caeiro.
Uma Visão Íntima da Divindade
O poema apresenta uma concepção de Deus próxima e presente, em contraste com a ideia de uma divindade distante e inacessível. A mensagem central reside na ideia de que a fé, seja qual for sua expressão, compartilha matrizes comuns, enfatizando a importância do respeito às diferentes crenças.
O Menino Jesus e a Busca pela Vida
O eu lírico descreve um sonho onde o menino Jesus, recém-chegado ao céu, encontra um ambiente parado, sombrio e insatisfatório. Ele foge para a Terra, onde encontra alegria, brincadeira e a vitalidade da vida. Este menino representa a nossa própria esperança, o nosso desejo de partilhar o amor, o cerne do espírito natalino. Versos como “Este menino mora comigo na minha casa a meio do outeiro” e “a criança eterna acompanha-me sempre” demonstram a proximidade e a constância dessa presença divina.
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Um Natal de Esperança e Respeito
O poema culmina com um pedido comovente: “Quando eu morrer filhinho, seja eu a criança mais pequena, pega-me tu ao colo e leva-me para dentro da tua casa”. Essa imagem final reforça a ideia de que a fé e a esperança são constantes, presentes em todas as crenças e culturas. O Natal, portanto, é a celebração dessa esperança e do respeito à diversidade de caminhos espirituais.