Coluna nesta semana fala das diferentes versões do hit ‘Tiro ao Álvaro’
A trajetória de “Tiro ao Álvaro”
“Tiro ao Álvaro”, um dos maiores sucessos da música brasileira, nasceu da mente de Adoniran Barbosa, pseudônimo de João Rubinato, um imigrante italiano que soube retratar com maestria o linguajar dos paulistanos, principalmente dos moradores do Brás e do Bixiga. A música, composta em 1960 em parceria com Osvaldo Moles, tornou-se um hino da cultura popular, interpretada por grandes nomes como Diogo Nogueira, MPB4, Raça Negra, Péricles, Zé Leduncan, Naldo Antunes e Elis Regina, cada um imprimindo sua própria marca na canção.
A Censura de “Tiro ao Álvaro”
Em 1973, quando Adoniran Barbosa pretendia lançar um disco com músicas de suas décadas de ouro (50 e 60), “Tiro ao Álvaro” enfrentou a censura. A então censora Eugênia Acosta Rodrigues, incomodada com o linguajar coloquial e palavras como “tauba”, “revórver” e “automóver”, considerou a letra de mau gosto, impedindo sua liberação. No entanto, Adoniran Barbosa, fiel à sua obra, recusou-se a alterar a letra, lançando o disco posteriormente, após a polêmica ter passado. A canção também ganhou versões em ritmo de rock, demonstrando sua versatilidade e atemporalidade.
O Legado de Adoniran Barbosa
Adoniran Barbosa, que faleceu em 1982, aos 72 anos, lamentava a falta de reconhecimento em seus últimos anos de vida, marcados por problemas pulmonares. A gravação de “Tiro ao Álvaro” por Elis Regina, em 1980, certamente foi uma grande fonte de orgulho para o artista. Sua obra, marcada pela representação autêntica da cultura paulistana, continua a inspirar e a encantar gerações, mantendo-se viva na memória e no repertório musical brasileiro. A força e a originalidade de “Tiro ao Álvaro” garantem seu lugar como um clássico atemporal.