Causas de mortalidade vêm se alterando ao passar dos anos; mudança nos hábitos das pessoas são os principais fatores
Mudanças nos padrões de mortalidade ao longo do tempo refletem transformações nos hábitos de vida. De doenças infecciosas na década de 1930, a mortalidade passou a ser dominada por doenças cardiovasculares, impulsionadas pela urbanização e mudanças de hábitos como o aumento do tabagismo, sedentarismo, alterações na alimentação e estresse.
Mudanças na alimentação: do Paleolítico aos dias atuais
A alimentação moderna difere significativamente da era paleolítica. Houve uma redução significativa na ingestão de proteínas (de 30% para cerca de 12%) e um aumento substancial no consumo de gorduras (mais que o dobro desde o século XX). O consumo de sódio também aumentou drasticamente, passando de 604mg para 3400mg por dia.
Gorduras e carboidratos: um novo olhar sobre a mortalidade cardiovascular
Um estudo recente publicado na revista The Lancet, o PURE (Estudo de Avaliação Urbana e Rural em relação a Hábitos Alimentares), analisou mais de 135 mil pessoas em 18 países. O estudo apontou uma associação surpreendente: a ingestão de carboidratos mostrou-se mais diretamente ligada à mortalidade cardiovascular do que o consumo de gorduras. De fato, indivíduos que consumiram mais gorduras apresentaram redução de 23% no risco total de mortalidade e 18% menos chances de sofrerem acidente vascular cerebral.
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Considerações e perspectivas futuras
Embora esses achados sejam intrigantes, é crucial interpretá-los com cautela. O estudo foi observacional, analisando hábitos populacionais e não necessariamente aplicável a recomendações globais de mudança de hábitos. A ciência evolui constantemente, e novas pesquisas são necessárias para confirmar e aprofundar esses resultados. É preciso equilíbrio e cautela na interpretação desses dados, sem conclusões precipitadas sobre a eliminação de carboidratos ou a priorização de gorduras na dieta.