Estudos apontam que 25% dos medicamentos comercializados no Brasil são de origem ervália
Fitoterápicos: Benefícios e Riscos de Medicamentos de Origem Vegetal
O que são fitoterápicos?
Fitoterápicos são medicamentos derivados de plantas, contendo diversas substâncias químicas responsáveis por seus efeitos terapêuticos e colaterais. Estima-se que cerca de 25% dos medicamentos comercializados no Brasil sejam de origem vegetal. Alguns exemplos consagrados pela ciência, utilizados na cardiologia, incluem o ácido acetilsalicílico (aspirina), derivado da casca do salgueiro; a digoxina, extraída da Digitalis lanata e usada em casos de insuficiência cardíaca; e a reserpina, derivada da Rauwolfia serpentina e utilizada no tratamento da hipertensão.
Testes e Efeitos Colaterais
Apesar do uso difundido, muitos fitoterápicos não passaram por testes rigorosos que comprovem sua eficácia e segurança, incluindo a avaliação de efeitos adversos em grupos específicos, como crianças. Um estudo da Universidade Gemelli de Roma apontou que os potenciais danos de alguns fitoterápicos podem superar seus benefícios. A pesquisa analisou diversos fitoterápicos comumente prescritos, como o ginseng asiático (sem comprovação definitiva para controle da pressão arterial, diabetes ou colesterol, com potenciais efeitos colaterais graves a longo prazo), astrágalo (evidências limitadas de benefícios para o sistema imunológico), alho e soja (tratamento da hipertensão), chá verde, espinheiro e semente de uva (aterosclerose e problemas circulatórios). Todos apresentaram falta de evidências científicas que comprovem benefícios.
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O ginkgo biloba, conhecido por supostos benefícios para a memória e cognição, também carece de comprovação científica robusta, apresentando, inclusive, relatos de efeitos colaterais graves, como hemorragias intracranianas. A ausência de comprovação científica sobre benefícios, aliada à possibilidade de efeitos colaterais, questiona o uso indiscriminado baseado na crença de que ‘mal não faz’.
Na medicina, a utilização de tratamentos sem comprovação científica sólida não é recomendada, especialmente quando há alternativas com eficácia e segurança comprovadas. A prioridade deve ser sempre a utilização de métodos com resultados claramente definidos e efeitos colaterais conhecidos.