Consumo leve a moderados de bebidas alcoólicas pode diminuir incidência de infartos, mas aumenta possibilidade de derrames
Álcool e Câncer: Uma Relação Complexa
Há décadas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) associa o consumo de álcool ao aumento do risco de câncer. Estudos demonstram uma forte correlação entre o consumo de bebidas alcoólicas e o desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como o de boca, esôfago e fígado. Nos Estados Unidos, estima-se que 5,6% dos casos de câncer sejam atribuíveis ao álcool, representando 87 mil novos diagnósticos anualmente. Um consumo moderado (14 a 28 gramas de etanol por dia) já mostrou associação com câncer de mama em mulheres, além de outros tipos de câncer. Dados de 17 países indicam uma relação direta entre o nível de consumo de álcool e a mortalidade por câncer. Países com redução no consumo de álcool, como a França, também registraram queda na mortalidade por câncer, enquanto na Romênia, o aumento do consumo acompanhou o aumento de casos de câncer de faringe e lábios. Em contraponto, países com consumo estável, como Dinamarca, Reino Unido e Estados Unidos, mantiveram taxas de mortalidade por câncer estáveis.
Álcool e Doenças Cardiovasculares: Um Cenário Contraditório
Embora o consumo de álcool esteja associado a um aumento do risco de câncer, estudos apontam uma possível relação inversa com doenças cardiovasculares. Em pesquisas com mais de 600 mil consumidores de álcool, observou-se uma associação com aumento de AVC, insuficiência cardíaca, hipertensão fatal e dilatação da aorta. No entanto, parece haver uma proteção contra o infarto agudo do miocárdio. Essa relação complexa e contraditória reforça a necessidade de mais pesquisas e orientações cuidadosas.
Recomendações e Considerações Finais
A associação entre consumo de álcool e saúde é complexa e requer cautela. Embora existam evidências de benefícios em relação a algumas doenças cardiovasculares, os riscos associados ao desenvolvimento de câncer são significativos. A recomendação geral é a moderação ou abstinência alcoólica, principalmente em vista dos riscos de câncer. Em caso de dúvidas, a orientação médica é fundamental para avaliação individualizada e definição de estratégias de prevenção.
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Frente a essa complexidade, a orientação médica se torna imprescindível. A prevenção, por meio da educação e da redução do consumo de bebidas alcoólicas, é crucial para a saúde da população. A dúvida, nesse contexto, deve sempre ser resolvida a favor da saúde do paciente.