Infectologista fala das doenças Zyka Vírus, Dengue, Febre Amarela e Chikungunya
Nesta entrevista à Rádio CBN Ribeirão, o médico infectologista Benedito Antônio Lopes da Fonseca, professor da USP Ribeirão Preto, alerta sobre o perigo do mosquito Aedes aegypti na região.
O Aedes aegypti: um transmissor eficiente
Segundo o professor, o Aedes aegypti é um mosquito altamente eficiente na transmissão de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre amarela. Sua característica antropofílica (preferência por picar humanos), hábito de viver próximo a domicílios e necessidade de múltiplas refeições sanguíneas para o desenvolvimento de seus ovos contribuem para sua alta capacidade de transmissão.
Clima e aumento da população do mosquito
O clima também desempenha um papel crucial. O ano de 2023 apresentou chuvas seguidas de períodos quentes, criando condições ideais para a proliferação do mosquito. Pequenas quantidades de água estagnada são suficientes para a postura e eclosão dos ovos, levando a um aumento significativo da população e, consequentemente, do risco de transmissão das doenças.
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Implicações da pesquisa sobre o vírus Zika
O professor Fonseca destaca uma pesquisa da USP Ribeirão Preto, que ele liderou, revelando que o vírus Zika causa mais abortos espontâneos do que microcefalia. Em um estudo com 178 mulheres infectadas, nove perderam seus bebês por aborto espontâneo, enquanto quatro tiveram filhos com microcefalia. Esses dados, ainda em análise completa, foram apresentados em um congresso americano de medicina tropical.
Ribeirão Preto, assim como outras cidades paulistas, permanece em situação de risco devido ao clima favorável à proliferação do mosquito. Apesar dos esforços da prefeitura na contenção da população de mosquitos, o clima regional continua sendo um fator determinante. A febre amarela, embora transmitida pelo mesmo mosquito, apresenta um ciclo diferente, envolvendo um ciclo silvestre e um ciclo urbano. A transmissão urbana da febre amarela depende do contato prévio com áreas de mata, onde o mosquito se infecta.
A similaridade dos sintomas de dengue, zika e chikungunya dificulta o diagnóstico. A rede médica de Ribeirão Preto recebe treinamento para o atendimento dessas doenças, buscando melhorar a qualidade do atendimento e reduzir a mortalidade, apesar do alto número de casos.
Uma pesquisa anterior sugeriu que a dengue poderia ter um efeito protetor contra a febre amarela urbana, devido a uma possível competição viral dentro do mosquito. No entanto, essa hipótese não deve ser usada como base para prevenção, sendo a vacinação a principal medida preventiva contra a febre amarela. A vacina é altamente eficaz e oferece proteção vitalícia.
A importância da preservação dos macacos como sentinelas da febre amarela é enfatizada. A morte inexplicável de macacos pode indicar a circulação do vírus e a necessidade de vacinação na região. A vacina contra a febre amarela está disponível em todos os postos de saúde de Ribeirão Preto com sala de vacinação.