Dieta intermitente é eficaz? Colunista comenta estratégias usadas para perder peso
O professor Cassiano Merusci-Neiva, docente e coordenador do Laboratório de Metabolismo e Fisiologia do Esforço da Faculdade de Ciências da Unesp (Bauru) e também docente da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), concedeu entrevista à CBN para discutir as novas dietas da moda, como as que eliminam carboidratos e os jejuns intermitentes.
Embasamento Científico das Dietas Restritivas
Segundo o professor Cassiano, tanto o jejum intermitente quanto a privação de carboidratos, especialmente quando combinados, não são metabolicamente nem nutricionalmente interessantes, principalmente para a população em geral. Ele destaca que o carboidrato é o principal nutriente para o ser humano, sendo o único substrato utilizado pelos neurônios em condições fisiológicas. A sua deficiência pode causar sérias complicações para o sistema nervoso.
Consequências da Restrição de Carboidratos e Jejuns Prolongados
A ausência de carboidratos força o organismo a recorrer à neoglicogênese, a produção de glicose a partir de outras fontes, como o glicerol proveniente da gordura. No entanto, esse processo não é suficiente, levando o corpo a degradar proteínas da massa muscular para obter energia. Isso resulta em perda de massa magra, a massa metabolicamente mais ativa do corpo, e consequentemente, prejuízos à saúde.
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O professor compara a situação com os nossos ancestrais, que tinham hábitos e genética diferentes e um tempo de vida mais curto. Hoje, com um estilo de vida diferente, a recomendação é distribuir as refeições ao longo do dia, evitando períodos de jejum prolongado. Ele sugere uma regra prática: dividir o número de horas em vigília por 2, 3 ou 4 para determinar a frequência ideal das refeições, considerando a atividade física individual. A dieta deve ser balanceada, com carboidratos compondo pelo menos 55% a 60% do total, conforme recomendações da Organização Mundial da Saúde e consensos de escolas de metabolismo.
Efeito Sanfona e Supercompensação Metabólica
A restrição de carboidratos e jejuns prolongados podem levar à perda de massa magra e, posteriormente, ao ganho de massa gorda, resultando no efeito sanfona. A interrupção desses regimes, muitas vezes acompanhada pela supercompensação metabólica, leva ao consumo de quantidades maiores de alimentos, revertendo os resultados positivos inicialmente obtidos. Este ciclo vicioso prejudica a saúde e o bem-estar a longo prazo.