Quais medidas estão sendo tomadas para evitar o rebaixamento do Aquífero Guarani? Especialista comenta o assunto
Nesta terça-feira, o Jornal da CBN entrevistou Carlos Alencastre, recém-chegado de Marrakech, Marrocos, onde participou de um evento sobre sustentabilidade e meio ambiente. A pauta principal foi o rebaixamento do Aquífero Guarani em Ribeirão Preto e as medidas tomadas para evitar o agravamento da situação.
Rebaixamento do Aquífero Guarani em Ribeirão Preto
Ribeirão Preto, a maior cidade localizada sobre o Aquífero Guarani (1,2 milhão de km²), depende exclusivamente dele para seu abastecimento de água. O rebaixamento do nível do aquífero, atualmente em cerca de 70 metros abaixo do nível primitivo, é resultado da intensa retirada de água no passado e da exportação hídrica, além da perfuração excessiva de poços. Essa situação gerou grande preocupação.
Medidas e Experiências Internacionais
Para conter o problema, o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Pardo implementou restrições à perfuração de novos poços. Alencastre apresentou essa iniciativa como um exemplo brasileiro na Assembleia Mundial da Rede Internacional de Organismos de Bacia (RIOB), em Marrakech, evento que reuniu representantes de 52 países. A participação em eventos internacionais como este permite o aprendizado de experiências bem-sucedidas em outros países, especialmente no que se refere à gestão sustentável da água, crucial em regiões com rios que atravessam fronteiras.
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Conscientização e o Exemplo Marroquino
Alencastre destacou a visita ao Museu da Água Mohammed VI em Marrakech, que demonstra a extrema preocupação do Marrocos com a gestão de seus recursos hídricos, apesar da escassez. A comparação com a realidade brasileira, onde as chuvas anuais são significativamente maiores (1300-1500 mm em Ribeirão Preto, contra menos de 450 mm no ano de maior precipitação registrado no Marrocos), evidencia a necessidade de maior cuidado e conscientização sobre o uso da água no Brasil, um país com abundância hídrica, mas que ainda não utiliza seus recursos de forma totalmente sustentável.
A experiência em Marrakech reforça a importância da discussão sobre a sustentabilidade da água e a necessidade de ações efetivas para a preservação deste recurso vital, não apenas em Ribeirão Preto, mas em todo o Brasil.



