Veterinária comenta a decisão de comunidades chinesas de sugerir o sacrifício de animais por conta do coronavírus
Com o surto de coronavírus, algumas comunidades chinesas estão recomendando que moradores deixem de criar animais de estimação, sugerindo o sacrifício daqueles que não forem mantidos em casa. Animais encontrados nas ruas seriam recolhidos pelas autoridades. Entrevistamos a veterinária Mariana Paranhos para esclarecer a situação.
Recomendação sem evidências científicas
De acordo com a Dra. Paranhos, não há evidências científicas que comprovem a transmissão do coronavírus entre mamíferos. A recomendação de sacrificar animais de estimação é precipitada, uma vez que a pesquisa sobre o vírus ainda está em andamento. A transmissão comprovada, até o momento, ocorre apenas entre humanos.
Possível contaminação da carne
Considerando a cultura chinesa de consumo de carne de animais exóticos, surge a dúvida sobre a contaminação da carne desses animais. Sem evidências de contaminação animal, não há como afirmar se a carne está ou não contaminada. A veterinária destaca que a transmissão do vírus, que afeta o sistema respiratório, ocorre principalmente por meio de tosse, espirros e contato com superfícies contaminadas.
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Prevenção e cuidados
A recomendação de manter animais de estimação em casa visa, principalmente, a proteção das pessoas. A Dra. Paranhos enfatiza a importância da higiene das mãos como principal medida preventiva. Lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool gel é crucial para evitar a transmissão do vírus, tanto entre pessoas quanto entre pessoas e animais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também afirma que não há evidências de que o vírus afete cães ou gatos.
Em resumo, a recomendação de sacrificar animais de estimação não se sustenta em evidências científicas. A prioridade deve ser a prevenção da transmissão do vírus entre humanos, por meio de higiene rigorosa. A OMS reforça a ausência de provas de contaminação em cães e gatos.