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Colunista comenta os desdobramentos da política nacional nesta semana
Pitacos da Ro
Colunista comenta os desdobramentos da política nacional nesta semana

Colunista comenta os desdobramentos da política nacional nesta semana

Prisão após condenação em segunda instância: um debate necessário

A Constituição e o direito ao recurso

A discussão sobre a prisão após condenação em segunda instância envolve a interpretação da Constituição. O texto legal garante o direito ao réu de esgotar todos os recursos disponíveis antes do encarceramento. A pergunta que fica é: devemos seguir rigorosamente esse preceito, mesmo que isso signifique a impunidade de alguns?

O custo da justiça e a desigualdade

Há quem argumente que a demora no processo beneficia principalmente aqueles com recursos financeiros para contratar advogados que prolonguem as etapas judiciais. De fato, o acesso à justiça de qualidade é desigual no Brasil, e isso impacta diretamente no tempo de duração dos processos. A complexidade do sistema e os altos custos da defesa técnica criam uma barreira para a população de baixa renda.

Cadeias como centros do crime organizado: um problema maior

A situação das prisões brasileiras é alarmante. Elas se tornaram, em muitos casos, verdadeiras incubadoras do crime organizado, onde decisões que afetam a sociedade são tomadas internamente. Encarcerar pessoas em ambientes tão perigosos, antes mesmo do esgotamento de todos os recursos legais, é uma medida questionável. A solução não está apenas em aumentar o número de prisões, mas em reformar o sistema prisional, tornando-o um espaço de ressocialização e não de reprodução da criminalidade.

Portanto, o debate sobre a prisão em segunda instância exige uma análise ampla, que considere não só o cumprimento da lei, mas também as desigualdades sociais e a realidade do sistema carcerário brasileiro. Antes de aumentar o encarceramento, é preciso investir em um sistema prisional digno e garantir o acesso à justiça para todos, independente de sua condição financeira.

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