Colunista relembra a obra de Manoel de Barros
Manuel de Barros: Um legado poético que aquece o coração
Vida e obra
O poeta Manuel de Barros, falecido em 2014 aos 97 anos, deixou um legado literário riquíssimo, com 18 livros de poemas. Sua obra, apesar do tempo, permanece viva e atual, capaz de revigorar a mente e aquecer o coração. Um exemplo disso é sua antologia “Meu quintal é maior do que o mundo”, repleta de reflexões profundas e imagens poéticas.
Um autorretrato em palavras
Em um comovente autorretrato, Barros resume sua vida em poucas linhas: “Venho de um cuia bagarimpo e de roelas entortadas. Meu pai teve uma venda de bananas no beco da marinha onde nasci. Me criei no pantanal de Corumbá entre bichos do chão, pessoas humildes, aves, árvores e rios. Apreci o viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos. Fazer o desprezível ser presado é coisa que me apraça”. Nesse pequeno texto, ele captura a essência de sua trajetória, marcada pela simplicidade, pela observação da natureza e pela valorização daquilo que muitos consideram insignificante.
A poesia como resistência
A poesia de Manuel de Barros é uma forma de resistência, uma celebração da vida em sua mais pura forma. Ele encontra beleza e significado nos detalhes mais humildes, nos lugares decadentes, nos seres menosprezados. Sua obra nos convida a olhar para o mundo com novos olhos, a apreciar a riqueza da simplicidade e a encontrar poesia no cotidiano. Barros nos deixa um valioso ensinamento: a capacidade de encontrar beleza e significado em todos os lugares, mesmo nos aparentemente insignificantes.



