Rodrigo Prioli traz os destaques do mundo político para o ouvinte CBN Ribeirão
O ano de 2014 foi marcado por intensa atividade política em Ribeirão Preto, com debates acalorados e decisões importantes no legislativo municipal.
Convocação de Concursados e o Plano Diretor
Logo no início do ano, a Câmara Municipal aprovou por unanimidade a convocação de 140 concursados para creches, uma medida que refletiu a urgência em resolver a questão dos contratos emergenciais, alvo de protestos no ano anterior. Em fevereiro, os vereadores rejeitaram um projeto de lei que visava atualizar o plano diretor da cidade, um documento crucial para o planejamento urbano, que permanecia inalterado desde 2003. A principal controvérsia girava em torno de uma emenda que permitiria a exploração imobiliária em uma área sensível da zona leste, o ponto de afloramento do Aquífero Guarani. A intervenção do Ministério Público, através do promotor Ramon Lopes Neto, alertou para os riscos de impermeabilização do solo e a consequente diminuição da recarga do aquífero, um recurso hídrico vital para a cidade.
Aumento Salarial e Protestos na Câmara
Em março, a decisão dos vereadores de aumentarem seus próprios salários gerou grande indignação popular. Protestos intensos culminaram com a descoberta de explosivos no estacionamento da Câmara, incluindo coquetéis molotov e bombas. A Guarda Civil Municipal investigou o caso, mas nenhum suspeito foi identificado. Manifestantes negaram qualquer envolvimento e alegaram que o material poderia ter sido plantado para desacreditar o movimento. Em abril, o clima tenso levou o presidente da Câmara, Walter Gomes, a encerrar uma sessão antes do término, diante de manifestantes mascarados. Uma semana antes, a Câmara havia aprovado uma lei proibindo o uso de máscaras em repartições públicas.
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Redução de Vereadores e Paralisação na Saúde
Outro tema de grande repercussão foi a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que considerou constitucional a emenda à lei orgânica que reduziu o número de vereadores de 27 para 22. A ação de inconstitucionalidade havia sido movida por um candidato que não conseguiu assumir o cargo devido à nova legislação. No final de abril, a Câmara passou a exigir cadastro para acompanhar as sessões, o que gerou protestos. Em junho, a mudança na jornada de trabalho na área da saúde provocou uma paralisação de serviços na rede pública. A redução da jornada, combinada com a proposta de remanejamento de profissionais e terceirização de serviços, gerou insatisfação entre os servidores. Uma auxiliar de enfermagem expressou a preocupação com a perda de empregos e a falta de preparo para lidar com novas funções. Após negociações, a prefeitura apresentou uma proposta ao sindicato, e os serviços foram normalizados.
O ano de 2014 foi um período de debates intensos e decisões importantes para a política de Ribeirão Preto, com reflexos em diversas áreas da administração pública e na vida dos cidadãos.



