Pesquisa da USP-Fapesp criou método 100% brasileiro para aplicar técnica norte-americana CART-Cell
Paciente com linfoma em fase terminal recebe alta após tratamento inédito na América Latina
Tratamento inovador
Um paciente de 62 anos, com linfoma em fase terminal, recebeu alta do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC) após um tratamento inédito na América Latina. O método, baseado na terapia genética Carticel, desenvolvido nos Estados Unidos, mas com um procedimento próprio criado por pesquisadores da USP, ofereceu ao paciente uma remissão do câncer. Embora os médicos ainda não declarem cura – o diagnóstico final só será possível após cinco anos de acompanhamento – os exames indicam que o paciente está virtualmente livre da doença.
Desenvolvimento e acesso ao tratamento
A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pelo Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), adaptou a técnica Carticel, que nos EUA custa cerca de US$ 500 mil. O paciente, antes de ser tratado em Ribeirão Preto, tentou outras terapias, como quimioterapia e radioterapia, sem sucesso. O coordenador da unidade de transplante da USP, Renato Cunha, que trabalhou com a pesquisa nos EUA, garante o sucesso do tratamento, relatando taxas de sucesso de 60% a 90% em pacientes com leucemia, que normalmente têm apenas 5% a 20% de chances de sobrevivência.
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Esperança e futuro
A esposa do paciente, Rosi Maricastro, descreve a alegria da família com a recuperação. O paciente, antes ativo e saudável, teve sua vida drasticamente afetada pela doença. O coordenador do Centro de Terapia Celular da USP, Dimas Tadeu Covas, destaca a importância de replicar esse sucesso em outros hospitais públicos, ampliando o acesso a esse tratamento para pacientes do SUS. O investimento necessário para isso seria de aproximadamente 15 milhões de reais. A notícia representa uma grande esperança para pacientes com doenças graves e sem outras alternativas de tratamento. O paciente, que chegou ao HC em 9 de setembro com metástases ósseas e tomando doses máximas de morfina, deixa o hospital amanhã, dia 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida.



