Procedimento substitui função do coração natural com dispositivo importado e foi realizado em Campinas, no hospital da PUC
Susi Iona da Silva, de 42 anos, Paciente recebe 1º implante de coração, recebeu o primeiro implante de coração artificial realizado no interior do estado de São Paulo. O procedimento ocorreu no Hospital da PUC Campinas no dia 24 de junho e durou cinco horas. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cirurgias desse tipo já foram feitas na capital paulista, mas nunca fora de uma capital.
O dispositivo implantado é importado dos Estados Unidos e fica totalmente dentro do corpo da paciente, sendo alimentado por uma bateria. Ele substitui a função do ventrículo esquerdo do coração, auxiliando na circulação sanguínea e mantendo a perfusão dos órgãos.
Histórico da paciente: Susi era atleta antes do diagnóstico de cardiomiopatia dilatada, feito em 2019 após apresentar dores no peito e falta de ar. Inicialmente, ela utilizou medicamentos para estimular o músculo cardíaco, mas a condição se agravou e os remédios deixaram de fazer efeito. Devido à gravidade do quadro, ela não era candidata ao transplante cardíaco, o que levou à indicação do implante do dispositivo artificial.
Detalhes do procedimento e tecnologia: A cirurgia foi realizada por uma equipe de cerca de 20 profissionais, incluindo cirurgiões, cardiologistas, intensivistas e enfermeiros. O dispositivo utilizado, chamado HeartMate 3, é uma tecnologia recente que oferece sobrevida semelhante à do transplante convencional, com expectativa de 60 a 70% de sobrevida em cinco anos. A tecnologia pode ampliar a expectativa de vida da paciente de cerca de 30 dias para até 15 anos.
Importância e perspectivas: O Hospital da PUC Campinas passa a ser um dos poucos centros no Brasil capacitados para realizar esse tipo de implante. A cirurgia representa um avanço na medicina da região e pode ser incorporada à rotina da instituição, especialmente após aprovação da Conitec no Ministério da Saúde para o uso do dispositivo tanto na saúde suplementar quanto pelo SUS. O custo do equipamento é alto, mas espera-se que diminua com o tempo e que o investimento seja compensado pela qualidade de vida proporcionada.
Informações adicionais
A paciente segue em recuperação e deve receber alta médica por volta do dia 14 de julho. Ela já planeja retomar atividades simples, como caminhar e brincar com a filha, o que antes não era possível devido à insuficiência cardíaca grave. A equipe médica envolvida realizou treinamento intensivo para garantir a segurança e o sucesso do procedimento.



