Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com o médico Fernando Nobre
O transporte aéreo é reconhecido como um dos meios de viagem mais seguros do mundo, Pacientes cardíacos devem ser orientados antes de viajarem de avião, com cerca de 2,7 bilhões de passageiros transportados anualmente. No entanto, devido às condições específicas das aeronaves e ao estresse inerente às viagens, é fundamental que passageiros com condições médicas especiais adotem cuidados para garantir sua segurança durante o voo.
Orientações para passageiros com condições cardíacas e outras enfermidades
Em 2010, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou diretrizes para orientar pessoas que viajam de avião, destacando as principais condições médicas que exigem atenção antes do embarque. Pacientes e tripulantes com infecções ativas, especialmente as contagiosas, devem evitar viajar para prevenir a disseminação de doenças e garantir sua própria segurança.
Pacientes com problemas cardiovasculares precisam passar por avaliação médica prévia. Por exemplo, após um infarto do miocárdio não complicado, recomenda-se aguardar entre duas a três semanas antes de voar. Caso o infarto tenha sido complicado, o tempo de espera aumenta para seis semanas. Pessoas que apresentam angina só devem viajar mediante liberação médica, enquanto pacientes com insuficiência cardíaca grave descompensada têm contraindicação para o voo.
Cirurgias cardíacas comuns, como a ponte de safena, exigem um período mínimo de espera de duas semanas antes do retorno às viagens aéreas. Para portadores de marca-passo, não há contraindicação para voar, exceto quando expostos a sistemas de raios X, que podem interferir no funcionamento do dispositivo.
Em casos de acidente vascular cerebral (AVC), é necessária uma avaliação detalhada do estado geral do paciente e da extensão da doença. A recomendação é que o paciente consulte um cardiologista antes de realizar viagens aéreas para garantir que esteja apto para o deslocamento.
Gestantes podem viajar até a 38ª semana de gestação, desde que recebam orientação médica adequada. Após esse período, o voo só é permitido se a gestante estiver acompanhada por um médico, devido ao risco aumentado de complicações obstétricas.
Emergências médicas em voos: dados e ocorrências
Um estudo publicado no New England Journal of Medicine analisou emergências médicas ocorridas em 11.920 voos entre 2008 e 2010. A pesquisa constatou que há uma emergência médica a cada 600 voos. As ocorrências mais frequentes incluem síncopes (desmaios), náuseas, vômitos, doenças respiratórias, sintomas digestivos como diarreia, tonturas, além de um número reduzido de mortes, que representaram 0,3% dos casos analisados.
Esses dados indicam que, embora emergências possam ocorrer, a maioria dos eventos é de baixa gravidade e pode ser manejada com os recursos disponíveis a bordo ou com atendimento médico imediato após o pouso.
Riscos de trombose em voos longos: Casos recentes evidenciam o risco de trombose venosa profunda (TVP) associada a longos períodos de imobilidade durante voos prolongados. Um exemplo notório foi o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Jenning, que foi internado após um voo de 65 horas, quando foi detectado um coágulo sanguíneo em sua perna esquerda.
Estudos indicam que passageiros em voos superiores a quatro horas têm três vezes mais chances de desenvolver trombose em comparação a pessoas que não viajam de avião. Outro caso que ilustra esse risco foi a morte do ator e diretor Marcos Paulo, atribuída a uma embolia pulmonar após uma longa viagem aérea. Apesar disso, esse tipo de evento é raro, ocorrendo em aproximadamente 1 a cada 4.500 passageiros.
Recomendações para prevenção de complicações durante o voo: Para minimizar o risco de trombose e outras complicações durante viagens aéreas, especialistas recomendam algumas medidas simples, porém eficazes. É importante manter uma boa hidratação, evitando o consumo excessivo de álcool e café, que podem levar à desidratação.
Além disso, deve-se evitar cruzar as pernas por longos períodos, pois isso pode dificultar a circulação sanguínea. Sempre que possível, os passageiros devem esticar as pernas e caminhar pelo corredor da aeronave para estimular o fluxo sanguíneo.
Essas práticas contribuem para reduzir a imobilidade prolongada, principal fator de risco para o desenvolvimento de trombose venosa profunda durante voos longos.
Entenda melhor
Apesar dos riscos pontuais e das emergências que podem ocorrer, o transporte aéreo permanece como um dos meios mais seguros para viajar. A adoção de cuidados específicos, especialmente para passageiros com condições médicas preexistentes, é fundamental para minimizar eventos adversos e garantir uma viagem segura e confortável.



