Sete profissionais se desligaram do serviço público e procedimentos estão atrasados desde o começo de janeiro
A crise na saúde mental em Franca se agrava com a demissão de sete psiquiatras que atuavam no Ambulatório de Saúde Mental. Pacientes relatam dificuldades no acesso a medicamentos e acompanhamento médico, expondo a fragilidade do sistema.
Pacientes Desamparados
Suselida Rocha Neves, paciente do setor de psiquiatria, expressa sua angústia diante da impossibilidade de arcar com consultas particulares e da dependência do receituário para obter os medicamentos necessários. “Sem medicamento eu não posso cacê-se esses medicamentos e aí que acontece? Se eu ficar cacê-se esses medicamentos eu posso ficar muito ansiosa devido ao sistema nervoso que vai ser alterado”, desabafa, evidenciando o impacto da falta de assistência em sua saúde mental.
Nilva Ferreira de Jesus, outra paciente, compartilha o mesmo dilema. A informação que recebe no ambulatório é para que os pacientes retornem em uma semana, um prazo que a impede de manter a continuidade do tratamento. A situação a forçou a pedir medicamentos emprestados, já que não possui condições financeiras para comprá-los ou pagar por uma receita particular.
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O Impacto da Demissão dos Psiquiatras
Os sete psiquiatras responsáveis pelo tratamento de adultos com problemas psiquiátricos deixaram seus cargos no Ambulatório Municipal de Saúde Mental em 7 de janeiro, após pedirem demissão no fim de novembro do ano anterior. A alegação para o desligamento foi a dificuldade em cumprir a carga horária estabelecida.
Nelson da Rocha Neves, pai de uma paciente, registrou um boletim de ocorrência diante da situação. “No caso da minha filha, devido a um acidente de moto com um homem neto, ela vem sofrendo por problema. Por isso que eu fiz o boletim de ocorrência, alguém vai ser responsabilizado porque isso é uma falta de respeito com o ser humano”, declarou, demonstrando sua indignação.
Resposta da Secretaria de Saúde
A Secretaria de Saúde informou que dois psiquiatras foram aprovados e convocados através de um processo seletivo, mas não assumiram as vagas. Para amenizar a situação, receituários estão sendo emitidos temporariamente por um clínico geral, um neurologista e médicos que atuam na Rede de Saúde Mental. A pasta aguarda a homologação de um concurso público para contratar três novos psiquiatras.
O atendimento emergencial está sendo realizado no Pronto Socorro Doutor Álvaro Azuz, com o apoio de médicos e psicólogos. A Secretaria de Saúde assegura que está trabalhando para normalizar o atendimento na cidade.
Diante deste cenário, a população de Franca enfrenta um momento delicado no acesso à saúde mental, com a esperança de que as medidas emergenciais e futuras contratações possam solucionar a crise.



