Doze idosos perderam ou ficaram com a visão comprometida após o procedimento; sala de esterilização tinha inadequações
Doze pacientes ficaram cegos ou com a visão comprometida após cirurgia de catarata em mutirão realizado em Taquaretinga, em outubro de 2024. Até o momento, as causas do dano à visão permanecem desconhecidas.
Depoimentos dos Atingidos
Carlos Augusto Rinaldi, 66 anos, pintor de Sant’ernestina, relata que após uma cirurgia bem-sucedida no olho direito em 2023, participou de um mutirão em outubro de 2024 para operar o olho esquerdo. Após o procedimento, sentiu fortes dores e sua visão piorou. Apesar de relatar o problema à médica, foi informado que era normal e que melhoraria em poucos meses, o que não ocorreu. Atualmente, Carlos está cego do olho esquerdo. Maria de Fátima Garcia Kiari, salgadeira de Matão, teve um quadro ainda mais grave. Além de perder a visão do olho direito, quase perdeu o globo ocular devido a uma infecção bacteriana. Ela precisou passar por um transplante de córnea, mas não recuperou a visão. Benedito Donizete Lavezo, aposentado, também teve sua visão prejudicada após a cirurgia, relatando enxergar apenas vultos.
Investigação em Andamento
Em janeiro de 2025, após encaminhamento do AME (Ambulatório Médico de Especialidades) para clínicas especializadas em Araraquara, os pacientes receberam diagnósticos que confirmaram a gravidade da situação. A Secretaria Executiva da Saúde do Estado de São Paulo classificou o caso como “fato isolado gravíssimo” e abriu uma investigação. Toda a equipe médica envolvida no mutirão foi afastada, e o AME de Taquaretinga interrompeu as cirurgias. A Secretaria de Saúde de Taquaretinga, em nota, informou sobre complicações pós-cirúrgicas e inadequações na sala de esterilização, que foi interditada. A investigação envolve as vigilâncias sanitárias estadual e municipal, e os pacientes foram encaminhados para tratamento especializado em Araraquara e Ribeirão Preto.
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A investigação busca esclarecer as causas dos danos à visão dos pacientes e apurar responsabilidades. As autoridades de saúde se comprometem a tomar as medidas necessárias para que situações semelhantes não se repitam. O caso segue em acompanhamento.



