CBN Ribeirão 90,5 FM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Compartilhe

Pacientes que perderam a visão após mutirão em Taquaritinga recusam indenização do Estado

Vítimas avaliaram que o valor de R$ 50 mil proposto está abaixo do que já foi pago em outras decisões judiciais do tipo
Pacientes que perderam a visão após
Vítimas avaliaram que o valor de R$ 50 mil proposto está abaixo do que já foi pago em outras decisões judiciais do tipo

Vítimas avaliaram que o valor de R$ 50 mil proposto está abaixo do que já foi pago em outras decisões judiciais do tipo

Pacientes que perderam a visão durante um mutirão de cirurgia de catarata em Itacuritinga, Pacientes que perderam a visão após, São Paulo, rejeitaram uma proposta de indenização do governo do estado. A oferta previa o pagamento de 50 mil reais para cada uma das 13 vítimas, valor considerado inferior ao de decisões anteriores em casos semelhantes.

Dona Francesca dos Reis de Pereira, Pacientes que perderam a visão após, 67 anos, perdeu a visão do olho direito e ainda precisa realizar a cirurgia no olho esquerdo. Ela passou por um transplante de córnea no olho direito no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, procedimento realizado como alternativa para tentar reverter a perda causada no mutirão. Segundo ela, os médicos informaram que o estado era grave e que a cirurgia de emergência era necessária para evitar a perda do globo ocular.

A cirurgia inicial foi feita em outubro do ano passado no mutirão de catarata em Itacuritinga. Após o procedimento, Francesca apresentou incômodo crescente na visão. A paciente, residente em Ibaté, tem sido acompanhada pela filha, Luciana Garcia, que reclama da falta de apoio por parte do ambulatório médico onde ocorreu a cirurgia.

“O pessoal de Itacuritinga, que causou a lesão, não está oferecendo apoio. Recebemos apenas colírios esporádicos”, afirmou Luciana Garcia.

Proposta de indenização e ações judiciais

Os pacientes entraram com ações judiciais para reparação dos danos causados no mutirão. O governo do estado apresentou a proposta de indenização de 50 mil reais por vítima, que foi rejeitada pelos pacientes por ser considerada insuficiente. O pedido de pensão vitalícia feito pelos pacientes foi negado pelo estado paulista.

Contexto do mutirão e falhas identificadas: O mutirão ocorreu em 21 de outubro do ano passado no ambulatório médico de especialidades em Itacuritinga. Das 23 pessoas operadas, 13 perderam total ou parcialmente a visão. O ambulatório é administrado pelo grupo Santa Casa de Franca, que assumiu o erro no uso de medicamentos durante o mutirão. Em vez do soro, foi aplicado nos olhos dos pacientes um antisséptico destinado ao uso na pele para eliminar bactérias.

Em resposta, a Secretaria de Estado da Saúde cancelou o contrato com o grupo Santa Casa de Franca, afastou a equipe médica responsável e suspendeu esse tipo de atendimento no local. Em fevereiro deste ano, os pacientes foram encaminhados ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto para atendimento especializado, onde cada caso tem sido estudado em busca de alternativas para tentar recuperar a visão.

Irregularidades no centro cirúrgico: O Ministério Público identificou pelo menos seis falhas no centro cirúrgico de Itacuritinga, incluindo a ausência de sistema de ventilação, problemas na limpeza da cadeira usada pelo médico e uso inadequado de antissépticos.

Dona Ângela, moradora de Monte Alto, também é vítima do mutirão. Ela perdeu a visão do olho esquerdo e tem glaucoma no olho direito, com apenas 20% da visão preservada. Avaliações médicas indicaram que o dano é irreversível. A sobrinha de Ângela, Priscila Verone, acompanha o tratamento e relata dificuldades no fornecimento contínuo dos colírios prescritos.

“A médica receitou três colírios, mas só entregaram um frasco. Para receber os próximos, é necessário passar por nova consulta, que só ocorrerá em julho”, explicou Priscila.

Informações adicionais

O grupo Santa Casa de Franca informou, por meio de nota, que não responde mais pela administração do ambulatório de Itacuritinga. A Secretaria de Estado da Saúde afirmou que todas as receitas são atendidas conforme recomendação médica e que os pacientes são acompanhados pelo Hospital das Clínicas. A Procuradoria do Estado está atuando para viabilizar a indenização dos pacientes.

Veja também

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.