Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marco Guarizzo
A Comissão da Verdade da OAB de Ribeirão Preto ouviu o Padre Agostinho do Arte de Oliveira, figura emblemática na defesa dos direitos humanos por mais de 50 anos. Padre Agostinho, que testemunhou contra o Esquadrão da Morte durante a ditadura militar, compartilhou suas experiências e perspectivas sobre esse período sombrio da história brasileira.
Uma Vida Dedicada aos Direitos Humanos
Formado em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo (São Francisco), Padre Agostinho dedicou sua vida à defesa dos mais vulneráveis. Inicialmente ligado a uma organização católica que atendia meninos de rua e mendigos em São Paulo, ele posteriormente continuou esse trabalho em Recife, vendendo café para garantir a subsistência.
Enfrentando o Esquadrão da Morte
De volta a São Paulo, Padre Agostinho trabalhou no Presídio Tiradentes, onde teve acesso a informações sobre presos que eram retirados à noite e mortos pelo Esquadrão da Morte, liderado pelo delegado Florio. Em um ato de coragem, Padre Agostinho confrontou Florio, seu ex-colega de escola, sobre as mortes noticiadas, mas o delegado negou as acusações.
Atuação em Ribeirão Preto e Ameaças
Padre Agostinho também teve um papel importante em Ribeirão Preto, onde se dedicou ao fechamento de uma casa de detenção para menores e à criação da Casa das Mangueiras. Sua atuação em defesa dos direitos humanos o tornou alvo de ameaças de morte, o que o levou a buscar proteção no Palácio Arquiepiscopal de São Paulo.
O depoimento do Padre Agostinho é valioso para compreendermos o papel dos defensores dos direitos humanos durante a ditadura e as pressões que enfrentaram. Sua história ilumina um período de insegurança e violência institucional, destacando a importância da luta contínua pela justiça e pela dignidade humana.



