Quem presenciou a ação da Polícia acusa os agentes de racismo e intolerância religiosa; um boletim de ocorrência foi registrado
Uma polêmica envolvendo denúncia de racismo e intolerância religiosa em Franca, interior de São Paulo, ganhou repercussão e pode chegar ao Ministério da Igualdade Racial. Líderes de terreiros de Candomblé e representantes da comunidade negra da cidade se reunirão com a ministra Anielle Franco na próxima sexta-feira para reclamar de uma ação da Polícia Militar ocorrida na semana anterior.
Ação Policial e Denúncias de Intolerância
Segundo boletim de ocorrência, um vizinho chamou a polícia por conta do barulho durante um culto religioso no terreiro do pai de santo Emerson Antônio Barbosa, localizado no Jardim Martins. Ao chegar, os policiais se depararam com revolta dos participantes, que alegaram intolerância religiosa. Vídeos gravados no local mostram a confusão e relatos de preconceito por parte dos policiais. O médico e pai de santo Luciano Ramiely, presente no culto, criticou a abordagem policial e questionou a seletividade da ação, comparando-a com a ausência de intervenções semelhantes em outras religiões.
Manifestações e Apoio à Comunidade
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Franca emitiu nota de repúdio e acompanhará os desdobramentos do caso. O advogado e secretário adjunto da OAB, Bruno da Silva, destacou a preocupação com a colisão de direitos, especialmente a liberdade religiosa e a proteção ao local de culto. O Conselho Municipal de Política Cultural também se manifestou, emitindo nota de solidariedade ao pai de santo e lembrando a importância do respeito a todas as manifestações religiosas. A secretaria de Segurança Pública ainda não se pronunciou sobre o caso.
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Desdobramentos e Reflexões
O episódio levanta questionamentos importantes sobre o combate à intolerância religiosa e ao racismo estrutural no Brasil. A seletividade da ação policial, a interrupção de um culto religioso e a abordagem aos participantes geraram indignação e mobilização da comunidade. A reunião com a ministra da Igualdade Racial demonstra a gravidade da situação e a necessidade de apuração rigorosa dos fatos, buscando responsabilizar os envolvidos e garantir a proteção dos direitos da comunidade religiosa.



