As palavras que usamos no dia a dia vão além da comunicação e podem provocar impactos profundos nas emoções, no comportamento e até no funcionamento do cérebro. Esse é o ponto central do segundo episódio da série ‘O Poder das Palavras‘, produzido pela CBN Ribeirão Preto, que reúne relatos e comprovações científicas sobre os efeitos do que é dito e da forma como é dito.
A jornalista Maria Lúcia de Ceni, de 83 anos, conta como carrega até hoje as marcas de palavras negativas ouvidas na infância. Expressões repetidas ao longo do tempo podem influenciar a construção da identidade e da autoestima, com reflexos que atravessam décadas.
Especialistas explicam que o impacto das palavras está diretamente ligado ao contexto, à intenção e à relação entre quem fala e quem escuta. Para o filósofo Mário Sérgio Cortella, a palavra não é neutra, carregando consigo uma carga histórica e simbólica capaz de conectar pessoas, ideias e emoções.
A ciência também confirma esse impacto. Pesquisas em neurociência mostram que palavras negativas ativam áreas do cérebro associadas ao sistema de defesa, como a amígdala, responsável por respostas de luta ou fuga. Já palavras positivas estimulam regiões relacionadas ao bem-estar, podendo gerar sensações físicas agradáveis.
Maria Lúcia participou de um experimento de mapeamento cerebral conduzido pela neurocientista Emily Pires. O resultado mostrou que mesmo em um ambiente controlado, o cérebro reagiu de forma distinta ao ouvir palavras positivas e negativas, comprovando que esses estímulos são capazes de provocar descargas de adrenalina ou sensações de conforto emocional.
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A série, produzida pela jornalista Elen Saconi, propõe uma reflexão sobre a responsabilidade no uso das palavras e convida o público a observar com mais atenção aquilo que diz e ouve todos os dias. Confira o primeiro episódio e os novos no site da CBN Ribeirão.



